Quarta-feira, 28 de Outubro de 2020

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| O estresse e ansiedade aumentam casos de dentes quebrados durante a pandemia

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Especialistas afirmam que o isolamento social, a crise econômica e as inseguranças do período tiveram reflexo também na saúde bucal. (Foto: Reprodução)

Em um período de menos de dois meses a servidora pública Carla Adriana Romero Pereira, de 45 anos, quebrou três dentes. O jornalista Cleber Bernuci, de 38 anos, quebrou um dos dentes inferiores há três meses. O motivo? O aumento do estresse e da ansiedade durante a pandemia do novo coronavírus, pois o isolamento social, a crise econômica e as inseguranças do período tiveram reflexo também na saúde bucal.

Dentistas ouvidos pela revista Época afirmaram que esse tipo de episódio tem se tornado frequente nos consultórios dentários e, embora não existam dados oficiais, estima-se um aumento de cerca de 50% nos casos nos últimos seis meses. O cirurgião-dentista Gabriel Silvestrini, por exemplo, diz que antes da pandemia costumava atender uma média de 15 casos por mês. Nos últimos meses o número dobrou. “Recebo pelo menos um caso por dia de pacientes com dentes quebrados, a maioria por causa de bruxismo e apertamentos”, afirmou.

O apertamento dos dentes é um fenômeno involuntário que geralmente acontece enquanto dormimos. Sem se dar conta do problema, as pessoas acordam reclamando de dores de cabeça e com a musculatura da face cansada, como se não tivessem dormido direito. Dentes que já tiveram o canal tratado ou que já foram restaurados, por exemplo, são mais frágeis do que o normal, por isso tem uma tendência maior a sofrerem quebras. Mas dentes rígidos e saudáveis também podem ser afetados. “É mais raro, mas pode acontecer”, afirma o cirurgião-dentista Ricardo Martinelli, consultor da Associação Brasileira de Cirurgiões Dentistas (ABCD).

Foi o que aconteceu com Carla. Ela conta que se considera uma pessoa ansiosa e estressada, mas a pandemia piorou a situação porque seus pais são do grupo de risco e dependem do contato frequente com ela. Além disso, Carla conta que o marido teve o salário reduzido, o que aumentou a preocupação com a renda familiar. “Era tanto pânico, tanta coisa junta que meus dentes começaram a quebrar. Dois deles já tinham sido tratados por causa de canal, mas um era um dente que nunca tinha sido mexido antes”, diz.

Segundo Martinelli, no início do confinamento muitos problemas dentários não foram detectados porque os pacientes tinham medo de ir até o dentista, o que pode ter agravado o problema. “Você soma isso ao estresse, à preocupação, ao medo de perder o emprego. Muitos acabam descontando na boca sem nem se dar conta”, diz.

O jornalista Bernuci conta que ficou mais tenso no primeiro semestre por causa da preocupação com a redução da renda. Consequentemente, passou a ter reflexos na boca. “Eu fico ansioso e não costumo externar isso. Quando estou dirigindo, bato os dentes no ritmo da música que estou ouvindo e só paro quando eu percebo. Quebrei uma lasca do dente mastigando e não dei bola. Dois dias depois o dente quebrou quase inteiro”, conta.

De acordo com o cirurgião-dentista Maurício Teixeira Duarte, professor da Faculdade de Odontologia da Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas (APCD), esse é um tipo de problema que ocorre em todas as classes sociais. “O estresse do dia a dia se reflete diretamente no apertamento dos dentes. Isso pode ocasionar diferentes tipos de fraturas, desde as mais simples, que são corrigidas facilmente, até mesmo quebras irreversíveis”, diz.

É possível proteger os dentes e evitar que eles quebrem. De acordo com os dentistas, os principais sintomas do problema são acordar com dores de cabeça, com a musculatura da face cansada ou dolorida, ou ranger os dentes enquanto dorme – isso pode ser apontado pelo companheiro ou companheira. Ao perceber esses sinais, a pessoa deve procurar um profissional para que seja feita uma análise e um diagnóstico correto.

Um dos tratamentos preventivos pode ser feito com o uso de uma placa de mordida para relaxar a musculatura durante o sono. Outra opção é a aplicação de toxina botulínica também para relaxar os músculos e evitar o apertamento dos dentes. “Cada caso é um caso. Tem pacientes que resolvem o problema com a placa, tem outros que optam por usar a toxina. Só um profissional pode avaliar e dizer qual a melhor opção”, conclui o professor Duarte.

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