Quinta-feira, 13 de Agosto de 2020

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Política O histórico turbulento de Bolsonaro com seus oito partidos políticos

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MP do Contribuinte Legal regulamenta a transação tributária. (Foto: Marcos Corrêa/PR)

As trombadas com a cúpula do PSL, que se intensificaram na última semana, não são uma novidade na vida política do presidente Jair Bolsonaro. Ao longo de pouco mais de 30 anos de carreira, ele já esteve em oito siglas. Além de trocar cinco vezes de partido, Bolsonaro viu legendas a que estava filiado passarem por fusões, o que intensificou o ritmo de mudanças em sua trajetória. As informações são do jornal O Globo.

Em comum a todas as trocas, uma atuação do então deputado distante das cúpulas partidárias. Parlamentar voltado ao nicho dos militares em quase toda a carreira, Bolsonaro não teve posições de comando nas siglas que o abrigaram. Agora, a disputar de poder no enriquecido PSL pode levá-lo a aumentar o histórico de trocas de partido turbulentas.

A própria construção de seu projeto presidencial a partir de 2016 foi marcada por uma série de problemas. Foi nesse ano que Bolsonaro decidiu abandonar o PP, legenda na qual passou a maior parte de sua carreira. Na época, o partido era o campeão no número de investigados pela Lava-Jato, o que poderia enfraquecer o discurso contra a corrupção que o então deputado vinha adotando. De uma lista de 47 políticos alvos de inquéritos abertos com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) em 2015, 32 eram do PP.

Dentro da linha que sempre seguiu, Bolsonaro tinha uma atuação independente dentro do partido. A sigla fazia parte da base de apoio ao governo da presidente Dilma Rousseff, mas isso não impediu que ele fizesse críticas duras aos petistas. O PP, porém, não lhe garantia legenda para concorrer ao Palácio do Planalto.

O primeiro destino de Bolsonaro em busca da construção da candidatura presidencial foi o PSC, partido que tem um grande número de políticos evangélicos em suas fileiras. O início da relação foi tranquilo. O então deputado federal pelo Rio chegou até a ser batizado nas águas do Rio Jordão, em Israel, pelo Pastor Everaldo, presidente da sigla, em maio daquele ano. O relacionamento começou a estremecer logo em seguida, durante a eleição municipal. Com incentivos de Everaldo, o filho mais velho de Bolsonaro, Flávio, se candidatou a prefeito do Rio pela legenda. O pai foi contra a candidatura por temer que ela pudesse atrapalhar o seu projeto presidencial.

Flávio foi adiante, mas teve que lidar com a intromissões do pai na campanha. Bolsonaro impediu que candidatos a vereador do PSC tirassem fotos com seu filho. A exceção era Carlos Bolsonaro, o filho 02, que tentava renovar o seu mandato de vereador. As senhas das redes sociais de Flávio chegaram a ser sequestradas por Carlos depois de uma publicação que desagradou ao pai. Reuniões entre Bolsonaro e Everaldo nesse período forma marcadas por bate-boca.

Descontente no PSC, Bolsonaro negociou em 2017 e chegou a assinar uma filiação pré-datada com o PEN para o período de janela partidária, em março de 2018. O partido mudou o nome para Patriotas. O então deputado queria que o seu aliado Gustavo Bebianno assumisse a presidência da sigla. Adilson Barroso, fundador da legenda, não topou e as negociações ruíram.

Foi aí que surgiu o PSL. O partido aceitou que Bebianno assumisse a presidência durante as eleições e a união pôde ser selada.

Mesmo quando tinha sua carreira política longe dos holofotes, Bolsonaro também não seguia a hierarquia partidária.

Por interesses da política fluminense, ele se mudou em 2003 para o PTB, de Roberto Jefferson. A passagem durou menos de dois anos e o então deputado não chegou sequer a disputar uma eleição pela legenda.

(O Bolsonaro) Sempre foi revolucionário. Ninguém lidera o Bolsonaro. Ele não respeita a liderança. Ele é ele mesmo. Tudo que a gente decidia na liderança do PTB ele não concordava e fazia da maneira dele”, disse Jefferson numa entrevista feita pelo próprio PTB.

Em 2005, Bolsonaro trocou o PTB pelo PFL. Sua passagem nem chegou a ser notada pela cúpula partidária. “Eu não me lembro disso. Não tive nenhuma participação e nenhum encontro com ele. Deve ter se filiado pelo Rio de Janeiro, não foi via diretório nacional”, diz o ex-senador Jorge Bornhausen, ex-presidente do partido.

Cesar Maia, prefeito do Rio pelo PFL naquele período, também não se recorda de ter sido colega de partido de Bolsonaro. “Fui informado de que ele foi filiado por só um mês. No começo da carreira, Bolsonaro ainda assistiu o PDC, partido onde começou sua carreira política, unir-se ao PDS para dar origem ao PPR, que, mais tarde, se transformaria em PRB.”

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