Segunda-feira, 13 de Julho de 2020

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Geral A pandemia fortalece o home office

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Um misto de resiliência com visão de oportunidade foi a implantação do trabalho remoto. (Foto: Reprodução)

O mundo nunca mais será o mesmo depois do surgimento do novo coronavírus, em dezembro passado na China. Doença que infectou milhões de pessoas e ceifou a vida de outras centenas de milhares pelo Planeta – a mais letal pandemia depois da Gripe Espanhola, em 1918. Em meio ao caos, homens, mulheres e crianças tornaram-se números, tanto nas mortes como em vidas com o Covid-19. Os impactos da pandemia na sociedade já atingem todos os setores. Na economia, o efeito do vírus atacou os empregos, os salários, a produção industrial, o comércio e o setor de serviços. A evidente destruição econômica foi batizada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) como a recessão do “grande confinamento”. Estudiosos avaliam que o mundo viverá a maior crise no campo do trabalho desde a Primeira Guerra Mundial.

O desastre econômico global vai abalar profundamente o ganha-pão de mais da metade dos trabalhadores do mundo, estimados pela OIT em 3,3 bilhões de pessoas. A Organização das Nações Unidas (ONU) trabalha com a estimativa que o PIB planetário sofra um golpe de US$ 2 trilhões. No Brasil, as estimativas dão conta que ao menos cinco milhões de trabalhadores com carteira assinada já tiveram seus empregos afetados de alguma forma desde o início da crise, seja por demissões, seja por suspensão do contrato de trabalho, seja pelo corte de jornada e salários. O cenário deve ser ainda pior. Levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV), na primeira quinzena de maio, mostra que 53,5% das famílias brasileiras foram afetadas com as medidas adotadas no mercado de trabalho em meio à pandemia.

De olho para os péssimos números do mundo do trabalho apresentados pelo IBGE em março, o país, que contabilizava um mês antes da crise 33,6 milhões de empregados formais, pode terminar o ano com cerca de 20% de desempregados, muito acima dos 12,2% do início do ano. Analistas mais pessimistas falam em retração de até 7,7% do PIB. Quando se considera todas as faixas de remuneração, quase 13% dos lares já tiveram ao menos um dos membros demitido. Entre as empresas, já houve corte de pessoal em cerca de 45% das que operam nos serviços e na construção, setores com mão de obra intensiva e geralmente de menor qualificação. O mesmo acontece em mais de um terço das atividades comerciais e em 25% das indústrias. Considerando os quatro segmentos, quase 40% já demitiram. Numa frase: “Um cataclisma”, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Ao certo, as empresas nunca mais serão as mesmas. O mundo dos negócios está em jogo. As perspectivas do mercado dão conta que uma revolução digital e de comportamento implicarão em transformações substanciais para todos tipos de empreendimentos. Acossado pela pandemia, a hora é de tentar minimizar os estragos econômicos. Um misto de resiliência com visão de oportunidade foi a implantação à “fórceps” do trabalho remoto. Hoje, de acordo como os dados da FGV, 67,4% dos trabalhadores formais estão trabalhando remotamente. Pesquisas da Cia do Talento e do Instituto Renoma – Pesquisa e consultoria em Comunicação, em parceria com a revista ISTOÉ, revelam que a maioria desses mais de 20 milhões de empregados formais, que foram obrigados a trabalhar a distância das empresas, defendem o modelo, apesar das críticas pontuais.

Para o sociólogo e CEO do Instituto Renoma, Fábio Gomes, o campo do trabalho tem agitado as redes sociais. Segundo pesquisa do Renoma, 72% dos internautas citaram o trabalho remoto ou seus congêneres (home office, trabalho a distância, trabalho em casa) em debates na internet. Identificou-se que 44% dos funcionários formais aprovaram o trabalho a distância, outros 40% eram neutros e 16% dos empregados mostraram-se contrários. Para ele, os números refletem um futuro que, apesar de muitas pessoas saberem que era uma tendência, tornou-se realidade imediata. “A pandemia empurrou-nos para fora do ninho”, entende Gomes. O sociólogo afirma que as empresas e os trabalhadores foram pegos de surpresa com o confinamento e não estavam preparados. “De uma hora para outra, sem qualquer planejamento, fomos obrigados a adequar o lar em escritórios”, afirma.

De acordo com o IBGE, em 2018, cerca de 3,8 milhões de pessoas trabalhavam nas próprias residências. Nesses tempos estranhos de Coronavírus, esse número quintuplicou. As informações são da revista IstoÉ.

 

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