Sábado, 13 de junho de 2026
Por Ali Klemt | 13 de julho de 2025
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
Se tem algo em que acredito é na capacidade humana de realização. E se tem algo que incorporei para a minha vida é a certeza da autorresponsabilidade: a capacidade de assumir a responsabilidade pelas próprias ações, decisões e resultados, tanto positivos quanto negativos, ao invés de culpar fatores externos ou outras pessoas. É a consciência de ter as rédeas da vida nas próprias mãos e não se entregar ao vitimismo fácil. É saber que nem sempre a vida é justa, mas cabe a nós optar pelo que faremos diante dela.
É por isso que esse discurso de pobres x ricos me exaure. Sobretudo, me entristece. Há uma lógica nefasta sendo, silenciosamente, implantada no Brasil. Uma lógica que não grita, mas sussurra por trás de discursos “progressistas”, projetos de lei e decretos sorrateiros. Uma lógica que divide para conquistar.
O governo Lula, com sua velha cartilha de esquerda, vem incentivando uma nova polarização no país: ricos versus pobres, empresários versus trabalhadores, quem tem versus quem deseja. Uma retomada vergonhosa da falida luta de classes — agora embalada com hashtags de “justiça social” e “taxação dos super-ricos”. Ao invés de promover o crescimento e visar à prosperidade, o intuito é apequenar ainda mais aquele tido por “oprimido” para destruir o opressor (que, na maioria das vezes, é quem viabiliza o seu emprego, veja só!).
Mas vamos tirar o verniz lustroso dessa “balela” toda: o que está em jogo aqui não é justiça. É vingança. É transformar o sucesso em pecado. É fazer com que o cidadão comum veja no empresário um vilão — e não o motor da economia que gera emprego, inovação e renda. É fazer parecer que quem venceu, venceu às custas de quem não venceu. E isso é simplesmente falso. Pio: é perigoso.
Tivemos, nesta semana, um exemplo do que essa retórica produz: a filha de 5 anos de Roberto Justus apareceu em uma foto com uma bolsa de R$ 14 mil. O que poderia ter virado meme – ou uma discussão profunda sobre limites, criação de filhos, exposição nas redes (são tantos temas interessantes, pertinentes e válidos), virou alvo de ódio real. Um ex-professor universitário escreveu: “só a guilhotina”. Contra uma criança. Oi? É a era da guilhotina. Só que, desta vez, aqui nas redes sociais brasileiras, em pleno 2025.
Não é piada. É a consequência direta da normalização do ódio de classe, do ressentimento travestido de virtude. E essa guerra silenciosa, alimentada por parte da esquerda brasileira, aposta na reedição de uma teoria que nunca funcionou na prática: a luta de classes. Hoje, porém, ela se camufla sob o discurso de “justiça tributária”, “progressividade”, “equidade”. Mas o fundo é o mesmo: o rico é o inimigo. E essa lógica se tornou tão insana que até crianças passaram a ser “alvo legítimo” de militantes que perderam completamente a noção do que é civilidade.
O que mais me assusta, porém, não é o post de um lunático ressentido. É o silêncio. O silêncio dos que vivem gritando por empatia, por respeito, por “lugar de fala”. O silêncio dos intelectuais, da imprensa e de muitos educadores. Onde estão os grandes democratas quando uma criança é atacada por ser rica? Onde estão as feministas para dizer que a “mulher pode ser o que quiser”, até mesmo uma perua rica, se for o caso?
Isso não é “crítica ao consumo ostentatório”. Isso é ódio de classe no seu estado mais primitivo e selvagem. Nenhuma nota de repúdio de coletivos feministas. Nenhuma manifestação da “classe artística”. Nenhuma palavra do ministro da Educação sobre o comportamento inaceitável de alguém que já ocupou o lugar de mestre. É esse o país que estamos construindo? Um país onde a figura de uma menina rica se torna símbolo de revolta ideológica? Pasme, senhores! Ainda tem muito pouca gente presa pelo rombo do INSS para nos preocuparmos como a família do Justus gasta o seu dinheiro (privado e licitamente auferido, aliás).
Não sejamos ingênuos: os que demonizam o lucro também viajam de jatinho, frequentam restaurantes caros, tomam vinhos de valores exorbitantes e se beneficiam de cargos públicos bem remunerados. E estaria tudo bem, que fizessem o que bem entendessem com a sua grana – não fosse o fato de a grana ser nossa.
Enquanto torram o nosso dinheiro em emendas cujo destino se desconhece e em comitivas gigantes para o exterior, incutem a lógica perversa que estabelece um vitimismo paralisante, vendendo a ideia de que o pobre só pode subir se derrubar quem está em cima. Um sistema onde o mérito não vale nada, onde esforço, dedicação e sucesso são sinônimos de privilégio — e privilégio é pecado capital. Lamentável.
Eu, porém, escolho acreditar no poder transformador da liberdade, da responsabilidade individual e da ascensão pelo mérito.
E se você ainda acha que um país se constrói odiando os que vencem… então talvez esteja mesmo na hora de reler a história. Porque quando o mérito é criminalizado, o fracasso vira política pública. E o futuro de uma nação inteira… é condenado à mediocridade disfarçada de virtude.
Instagram: @ali.klemt
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
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Parabéns Ali!!
Sempre certeira na análise.
Infelizmente os fracassados do nosso país ainda gritam mais alto do que aqueles que os sustentam ou lhes dão emprego e renda!
Parabéns Ali!!! Ótimo texto, como sempre!
Além de dominar através da divisão da população em classes e a fomentação do ódio entte os grupos criados, há a derrocada do falacioso direito que a esquerdalha prega de igualdade. Então, como não é possível a igualdade, fomentam o ódio a quem tem sucesso, a quem amealha fortuna, através do trabalho e empreendedorismo, e gerando trabalho, renda e impostos.