Domingo, 31 de Maio de 2020

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Lenio Streck Os shoppings fecham e os cultos abrem? O novo vírus coronabestas

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Vejo na televisão anúncio de culto de uma igreja pentescostal dizendo que dia 23 haverá culto com 400 pastores para curas milagrosas. Fantástico. Poderiam se esforçar e curar os infectados do coronavírus. Bom, se continuarem a fazerem reuniões, vão precisar mais do que rezas.

No Rio de Janeiro, um juiz de direito autorizou Silas, o Malafaia, a fazer cultos. Sim, contra tudo e contra todos, o juiz disse que não estava proibido fazer cultos. Ah, não, Excelência? Por que Vossa Excelência não vai ao culto? Experimente. Essas coisas do Brasil… Bom, não é uma gripezinha que vai derrubar o Silas, certo?

Vejo também que a Universal (a Igreja) estava (não sei ainda está) vendendo álcool-gel a R$ 500 reais. Antes, aqui em Porto Alegre um pastor estava oferecendo um óleo ungido para proteger o fiel contra o coronavírus. Na verdade, é o vírus do coronabestas que deve estar inoculado em algumas pessoas nesse país.

Vou tentar exemplificar a crise toda e as bobagens que estão sendo ditas por autoridades civis e eclesiásticas:

Li ontem O livro dos Prazeres Proibidos, de Frederico Andahazy. É um romanceamento picante sobre a história da “invenção” do livro. Guttenberg é o personagem, é claro.

Trabalhando com seu pai, que cunhava moedas para o Rei, Guttenberg vê com admiração os calígrafos reproduzindo a bíblia e outros textos.

Diz, então, Guttenberg:

-“Estes homens devem ser verdadeiros sábios. Afinal, tanto copiam e com tal perfeição…”.

“-Talvez” – disse-lhe seu pai, esboçando um sorriso, e complementou: “- Se soubessem ler. Os melhores copistas são aqueles que não sabem ler”.

De fato: os melhores copistas são aqueles que não sabem ler! Não sabem ler e nem sabe que não sabem. O pior burro é o que não sabe que não sabe.

E para quem acha que isso que acabei de escrever não é necessário – e que estou sendo muito duro e sarcástico – vai aí uma frase de outro filósofo que curto, sobre a diferença entre sábios e néscios. Chamava-se Avicena. Ele dizia:

“ Um sábio sabe a diferença entre as coisas necessárias e as desnecessárias. O néscio não sabe disso. Solução: bata-se nele (no néscio) com um chicote até que ele grite: ‘basta, basta: isso não é necessário’”.

Pronto. Agora ele aprendeu a diferença entre o necessário e não necessário.

Preciso ser mais claro? Cartas para meu email: anticoronabestas@alcoolgel500real.com.br.

 

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