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Política Procuradoria denuncia o ex-diretor da Petrobras Renato Duque e mais oito pessoas por propinas de 152 milhões de reais em contratos de refinarias

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O ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque foi denunciado por supostos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. (Foto: Marcelo Camargo/ABr)

O MPF (Ministério Público Federal) no Paraná denunciou o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, o sócio e ex-diretores do Grupo MPE Montagens e Projetos Especiais S/A e operadores financeiros por supostos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Os supostos delitos foram praticados em detrimento da Petrobras em decorrência de contratos firmados por consórcios integrados pela empresa MPE para o desenvolvimento de obras e serviços nas refinarias Henrique Lage – Revap II (São José dos Campos/SP), de Paulínia – Replan (São Paulo/SP) e Presidente Getúlio Vargas – Repar (Araucária/PR).

Esta é a segunda denúncia oferecida no âmbito do núcleo da Operação Lava-Jato do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado). O MPF pede que “sejam revertidos à Petrobras R$ 152.857.440,57 correspondente aos valores totais de propina prometidos por três consórcios integrados pelo Grupo MPE. Também foi postulado judicialmente pelo MPF a decretação do perdimento do produto e proveito dos crimes de lavagem de dinheiro denunciados, no valor total de R$ 67.943.082,91”.

Segundo o MPF, a MPE “é uma das empresas que participavam do ‘clube de empreiteiras’, que mantinham com Renato Duque, Pedro Barusco e Paulo Roberto Costa e outros altos executivos da Petrobras compromissos de pagamentos de vantagens indevidas que variavam entre 1% e 3% do valor dos contratos celebrados com a Estatal. Em contrapartida, os ex-executivos da Petrobras anuíam e se mantinham inertes quanto à existência e efetivo funcionamento do cartel em desfavor da estatal, auxiliavam as empresas corruptoras em licitações e contratos e se omitiam nos deveres que decorriam de seus ofícios”.

De acordo com a procuradoria, durante o período de seu funcionamento, “o cartel apresentava um modus operandi bem definido. Nas reuniões entre os empreiteiros, considerando os planos de investimento divulgados pela Petrobras, as sociedades integrantes do ‘Clube’ indicavam as obras de sua preferência, loteando entre os cartelizados, individualmente ou em consórcio, as obras da estatal. O conluio, além de se sustentar na prévia divisão das licitações, permitiu a elevação dos custos em diversas licitações fraudadas, já que as empreiteiras cartelizadas acabaram fixando artificialmente os preços, com a proposta vencedora sempre próxima da estimativa máxima da Petrobras”.

Parte dos crimes objeto da denúncia, especificamente relacionados aos contratos das refinarias Replan e Repar, já foram objeto da ação penal nº 5012331-04.2015.404.7000 em relação as demais empresas que estavam consorciadas com a MPE.

“Também são objeto de acusação pelo Gaeco federal diversos atos de lavagem de dinheiro praticados mediante a celebração, pelos consórcios de empreiteiras integrados pela MPE, de contratos ideologicamente falsos com seis empresas controladas por operadores financeiros: Treviso Empreendimentos Ltda; Pieruccini & Martins Advogados; Riomarine Oil & Gás Engenharia e Empreendimentos; GFD Investimentos Ltda; Credencial Construtora Empreendimentos e Representações Ltda.; e CIB Consultoria e Serviços Ambientais Ltda. A celebração de tais contratos, cujos objetos não foram prestados, ensejaram transferências de mais de R$ 67 milhões e permitiram o pagamento sistemático de propinas para os funcionários da Petrobras corrompidos. Muitos desses contratos foram firmados pessoalmente pelos então executivos da empresa MPE, ora denunciados”, diz o MPF.

Confira a relação de denunciados e os supostos crimes que são atribuídos a eles pelo MPF: Carlos Maurício Lima de Paula Barros – corrupção ativa (2 vezes) e lavagem de dinheiro (13 vezes); Eduardo Aparecido de Meira – lavagem de dinheiro (4 vezes); Flavio Henrique de Oliveira Macedo – lavagem de dinheiro (4 vezes); Igor Belan – lavagem de dinheiro (2 vezes); Jésus de Oliveira Ferreira Filho – corrupção ativa (duas vezes) e lavagem de dinheiro (50 vezes); Moacir Figueiredo Gitirana – lavagem de dinheiro (1 vez); Renato Duque – corrupção passiva (1 vez); Renato Ribeiro Abreu – corrupção ativa (1 vez) e lavagem de dinheiro (4 vezes); e Ricardo Teixeira Fontes – corrupção ativa (1 vez) e lavagem de dinheiro (18 vezes). As informações são do MPF.

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