Quinta-feira, 26 de maio de 2022

Porto Alegre
Porto Alegre
17°
Light Rain

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail ou WhatsApp.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Edson Bündchen Reinventando-se em pleno voo

Compartilhe esta notícia:

É inegável o enorme desconforto em relação ao futuro do trabalho. Hordas de desempregados tiram o sono de governos no mundo todo e impactam de forma inédita a vida social e política do planeta. Se, do ponto de vista governamental o desemprego estrutural e as novas formas de trabalho são demasiadamente inquietantes, para os indivíduos, as preocupações não são menores. Diferente do passado recente, quando havia menos instabilidade, atualmente prevalece um quadro de mudanças sem precedentes, ambiente no qual novas tecnologias reconfiguraram continuamente o contexto, tornando obsoletos saberes já consagrados e colocando um enorme peso sobre os ombros dos trabalhadores. Empregos temporários e novas competências esculpem o novo normal e hoje, é bem menos provável que alguém trabalhe para uma única empresa ao longo da vida. Diante desse cenário, surgiu uma indústria de novos especialistas, “coaches” e formas de capacitação multivariada, com um cardápio completo para cada uma das situações, sejam elas originadas de carências técnicas, comportamentais e até existenciais. Afora isso, a Internet provê, a um toque dos dedos, a possibilidade de acesso ilimitado ao conhecimento, algo inimaginável até há bem pouco tempo. Isso tudo, apesar de relevante, não conseguiu diminuir a tensão e o medo em relação ao que ainda está por vir.

Mais do que impor a atualização do repertório de competências, a atual dinâmica do trabalho e da vida em sociedade coloca o planejamento de carreira num patamar estratégico, semelhante às mesmas formas e premissas organizacionais. Empresas e indivíduos, cada qual dentro de sua realidade competitiva, estão tendo que balizar suas decisões não mais em contexto conhecido e seguro, mas dentro de um sempre inédito panorama, conjugando elementos complexos e incertos com uma promessa concomitante de almejar mais significado, paixão, propósito, autenticidade e senso comunitário. Ao tempo em que se torna mais fatigante garantir um lugar ao sol no mundo do trabalho, novas alternativas se apresentam, especialmente diante de transformações profundas nos modelos laborais. Com os algoritmos ceifando rapidamente empregos com baixa densidade intelectual, cada vez menos alternativas que dependam dos músculos estarão disponíveis, enquanto empregos que requeiram saberes mais elaborados serão crescentemente requeridos.

Do mesmo modo que houve o surgimento de novas profissões, numa sociedade predominantemente de serviços, também ocorreu uma mudança significativa na estrutura dos conhecimentos requisitados para essa nova realidade. Para muito além de conhecer a técnica, o modo certo de realizar determinada função, tarefa ou serviço, o profissional moderno terá que estruturar e posicionar as suas competências em sólidas bases comportamentais. O saber ser, num contexto de extremada fluidez, permitirá ao trabalhador do conhecimento construir, ao modo das estratégias corporativas, seus diferenciais mercadológicos capazes de lhe gerar vantagem competitiva num mercado implacavelmente exigente. Consistência de caráter, atitude proativa e positiva, juntamente com uma forte inclinação ao aprendizado por toda a vida, além de pensamento crítico desenvolvido, serão os alicerces para a empregabilidade do futuro.

Nessa perspectiva, adquire peso ainda maior o condicionamento psicossocial do indivíduo. A postura correta e o entendimento dessas novas regras que já estão moldando o futuro do trabalho, portanto, estão muito mais atreladas a aspectos atitudinais do que técnicos. A guerra dos mercados, o gosto multifacetado dos consumidores e uma sociedade pós-moderna em constante fluxo, remetem o trabalhador a um encontro inadiável com uma emancipação mais plena, e mais difícil também. Ao contrário de permanecer a reboque de sindicatos ou governos, o trabalhador do novo milênio terá que se reinventar continuamente, não em águas serenas, mas num teste permanente de resiliência para sobreviver e prosperar num ambiente frágil, ansioso, não linear e menos compreensível.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Edson Bündchen

Nossos inarredáveis casulos
Questão de caráter 
Deixe seu comentário
Pode te interessar

Edson Bündchen Tropeçando na mesma pedra

Edson Bündchen Siameses

Edson Bündchen Por que não te calas?