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Mundo Ressurgimento do coronavírus em Wuhan faz moradores esvaziarem prateleiras em supermercados

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Governo pretende testar todos os 12 milhões de habitantes da cidade, após confirmação de 10 casos. (Foto: Reprodução)

Após a confirmação na segunda-feira (2) de sete casos covid-19 em Wuhan, na China, onde não havia contágios desde junho de 2020, os moradores já demonstram sinais de preocupação com o novo surto da doença e correram para supermercados em busca de mantimentos. Fotos da agência de notícias AFP mostram grandes filas em estabelecimentos, carrinhos de compras lotados e prateleiras vazias. A cena era comum no início da pandemia do novo coronavírus, que foi detectado pela primeira vez na cidade, capital da província de Hubei, em dezembro de 2019.

Nesta terça-feira (3), a cidade registrou três novos casos da doença, após os sete diagnósticos na segunda, e o governo anunciou que pretende testar toda a população de 12 milhões de habitantes. Autoridades também decretaram a proibição de grandes reuniões para evitar aglomerações. As aulas presenciais foram suspensas, há recomendação para que os moradores evitem sair da cidade e um complexo residencial foi posto em quarentena.

Apesar da alta taxa de vacinação e das medidas restritivas, mais de 400 pessoas em 18 das 22 províncias do país já foram infectadas com a variante Delta, mais contagiosa, nas últimas duas semanas. Apenas na segunda-feira, o país registrou 61 novos casos de transmissão local da doença, seis a mais que no dia anterior, segundo a Comissão Nacional de Saúde.

Testagem em massa

O surto da nova cepa surgiu em julho, quando nove funcionários da equipe de limpeza do aeroporto de Nanquim, na província de Jiangsu, no Leste do país, foram detectados com a variante mais contagiosa após higienizarem um avião procedente de Moscou.

A cidade continua sendo a mais afetada pelo novo surto, com um total de 220 casos e, na segunda, seu distrito de Jiangning, onde fica o aeroporto, foi posto sob quarentena parcial. Todos os shoppings e muitas lojas precisaram fechar suas portas já nesta terça.

A vizinha Yangzhou contabilizou sozinha 40 dos 61 casos registrados no país na segunda, atravessando um surto que tem como paciente zero uma idosa de Nanquim. A mulher viajou para a cidade e visitou vários centros de mahjong antes de testar positivo para a doença na última quarta-feira.

Segundo o jornal South China Morning Post, a polícia de Yangzhou disse nesta terça estar investigando se a senhora burlou as regras sanitárias. Ao todo, a cidade já registrou 94 casos da doença e pôs todos os 1,3 milhão de moradores dos complexos residenciais em sua região central sob quarentena.

Em Xangai, mais de 50 mil viajantes e funcionários do Aeroporto Internacional Pudong foram testados para a doença na segunda-feira, e o motorista de um serviço de transfer que não deixava a cidade há mais de 14 dias testou positivo. O complexo residencial onde ele vive foi classificado como uma área de risco médio e 52 pessoas com quem teve contato próximo foram postos em quarentena, disseram as autoridades nesta terça.

Em poucas semanas, os casos também surgiram em lugares tão distantes quanto a ilha de Hainan, a 1,9 mil km de Nanquim, e Zhuzhou e Zhangjiajie, locais turísticos na província de Hunan, na região central do país, onde há mais de 2 milhões de pessoas em quarentena.

Embora não tenham sido registradas mortes no surto, esses casos são o maior desafio para a estratégia da China desde que o vírus foi detectado em Wuhan. As medidas restritivas do país, que incluem testes em massa assim que um caso aparece, rastreamento de contatos, uso generalizado de quarentenas e quarentenas direcionadas, esmagaram mais de 30 surtos desde janeiro de 2020.

O maior após o controle do surto em Wuhan, ainda no meio de 2020, ocorreu há sete meses, quando mais de 2 mil pessoas se infectaram na província de Hebei, no Nordeste do país. Os casos, contudo, ficaram circunscritos à região e não se disseminaram nacionalmente.

Na China, mais de 1,6 bilhão de doses de vacinas contra a covid-19 foram administradas até o último domingo (1º), alcançando quase 60% da população. A taxa de imunização do país é uma das mais altas do mundo, mas ainda está muito longe de atingir a barreira de imunidade para a população de 1,4 bilhão, e também não se sabe ainda se as vacinas nacionais podem retardar a propagação da variante delta.

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