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Rio Grande do Sul Retomada econômica no Rio Grande do Sul depende da evolução da pandemia, aponta boletim

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Documento analisa questões da conjuntura internacional, nacional e regional e aponta perspectivas para o próximo período

Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Documento analisa questões da conjuntura internacional, nacional e regional e aponta perspectivas para o próximo período. (Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

Em um ano marcado pela influência da pandemia de Covid-19 na economia mundial, reforçada no Rio Grande do Sul pelos efeitos da estiagem, as projeções para a retomada da economia gaúcha após as perdas severas do primeiro semestre de 2020 seguem cercadas de incertezas.

De acordo com o Boletim de Conjuntura, divulgado nesta quarta-feira (28) pelo DEE (Departamento de Economia e Estatística), vinculado à SPGG (Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão), dados recentes do desempenho da indústria de transformação, do comércio varejista e da arrecadação de ICMS no Estado indicam uma retomada relativa a partir do terceiro trimestre do ano, mas a velocidade e o tamanho da recuperação dependerão do comportamento da pandemia no RS e no mundo e também dos desempenhos futuros das economias brasileira e mundial.

O documento de análise conjuntural foi produzido pelos pesquisadores Martinho Lazzari, Tomás Torezani e Fernando Cruz, da Divisão de Análise Econômica do DEE.

Cenário internacional

Ao contrário das crises anteriores à da Covid-19, as atividades econômicas mais impactadas em 2020 foram as relacionadas ao setor de serviços, apesar de a indústria também ter sentido os efeitos das mudanças.

Após o período mais crítico de restrições à circulação impostas em diversos países do mundo, e com a ajuda fundamental de medidas fiscais, monetárias e regulatórias adotadas por diversos governos, a economia global passou a se recuperar mais rapidamente do que o previsto, segundo o boletim.

Ainda assim, as projeções para o ano indicam quedas históricas na atividade econômica global. O FMI (Fundo Monetário Internacional) estima contração de -4,4% da economia mundial. Para efeitos de comparação, durante a crise financeira de 2009 a queda chegou a 0,1%. Entre os países de maior destaque, a China é a única que deve destoar dos resultados negativos e crescer 1,9% em 2020.

O boletim aponta também que a recuperação chinesa vem se mostrando fundamental para a retomada do comércio internacional, “tanto enquanto demandante de commodities e outros produtos como ofertante de produtos industriais”.

Brasil e RS

No segundo trimestre de 2020, o PIB nacional caiu 11,4% em relação ao mesmo período do ano anterior e retrocedeu a patamares de 2009, o que indica o tamanho do tombo no período. Dentre os três grandes setores, o único que apresentou resultado positivo no trimestre foi a agropecuária, com indústria e serviços alcançando resultados negativos históricos.

O documento mostra que, a partir de indicadores mais recentes, a previsão é de que a economia brasileira reduza suas perdas no segundo semestre do ano, sendo que a previsão mais recente do relatório Focus, do Banco Central, é para uma queda próxima dos 5% no PIB em 2020.

Similar ao Brasil e potencializado pelos efeitos da estiagem, que abalou no RS os resultados do único setor com resultado positivo no país, o Estado apresentou queda acentuada no PIB no segundo trimestre. No entanto, dados mais recentes indicam uma recuperação da produção industrial e do comércio varejista, assim como da arrecadação de ICMS, um indicativo da melhora do ambiente econômico.

“Para os próximos meses, as perspectivas para a economia gaúcha são de redução das perdas econômicas ocasionadas tanto pela estiagem quanto, principalmente, pela pandemia. Ainda pesarão, no entanto, questões como o fim ou redução do auxílio emergencial, a velocidade da recuperação do emprego e da renda, além da evolução da pandemia no Estado e no mundo”, destaca o pesquisador Martinho Lazzari.

Boletim de Conjuntura

O documento elaborado pelos técnicos do DEE analisa as questões mais importantes da conjuntura internacional, nacional e regional observadas até mês de outubro, com foco no Rio Grande do Sul, com perspectivas para o próximo período.

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