Quarta-feira, 27 de Maio de 2020

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Rio Grande do Sul Rio Grande do Sul terá pesquisa inédita sobre o avanço do coronavírus. Unimed e Instituto Floresta estão entre os apoiadores

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Ministério da Saúde pretende levar a experiência inédita para outros Estados.

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O reconhecimento federal específico para a pandemia de coronavírus permitirá aos municípios a antecipação de benefícios sociais, liberação de seguros. (Foto: Reprodução)

Uma pesquisa do governo do Rio Grande do Sul que terá o  apoio da Unimed Porto Alegre, do Instituto Cultural Floresta, também da Capital, e do Instituto Serrapilheira, do Rio de Janeiro, vai estimar, com base científica, o percentual da população gaúcha infectada pela Covid-19 e o ritmo de avanço da pandemia no Estado. Trata-se de um estudo inédito, a partir de amostragens epidemiológicas sequenciais, e que permitirá identificar a prevalência da doença por regiões, o contingente de pessoas atingidas pelo novo coronavírus, mas que não apresentam sintomas, e projetar a incidência de casos mais graves e até o grau de letalidade da doença.

Quando os primeiros resultados surgirem, o estudo será uma das principais referências ao governo gaúcho na definição de estratégias de enfrentamento da pandemia. “Todas as nossas medidas que adotamos até o momento sempre tiveram a ciência como base. Essa pesquisa nos trará um cenário de prevalência da Covid-19 ainda sem similar e será fundamental para os próximos passos”, disse o governador Eduardo Leite.

A primeira rodada de aplicação dos testes por amostragem deve ocorrer nos próximos dias. Serão 4.500 coletas a cada uma das quatro pesquisas de campo previstas pelo estudo.

Unimed Porto Alegre e o Instituto Cultural Floresta entre os apoiadores do estudo

A Unimed Porto Alegre e o Instituto Cultural Floresta, ambos da Capital, estão entre os apoiadores do estudo, coordenado pela UFPel (Universidade Federal de Pelotas), além do Instituto Serrapilheira. O grupo também busca outros parceiros que possam contribuir para o financiamento do projeto, que já conta com o aporte de R$ 1 milhão.

O levantamento é uma iniciativa do governo do Rio Grande do Sul e será conduzido por um grupo de pesquisadores da UFPel, com equipes da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre), UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) e Unipampa (Universidade Federal do Pampa), a partir dos próximos dias.

Os pesquisadores, no entanto, já planejam reproduzir o levantamento no País inteiro, por solicitação do Ministério da Saúde. Eles explicam que, em epidemiologia, identificar a magnitude de um problema de saúde na população inteira, e não em subgrupos específicos de pessoas com suspeita da doença, é o primeiro passo para o desenvolvimento de estratégias efetivas de saúde pública baseadas em evidências. Os dados obtidos no estudo serão essenciais para se planejar medidas mais precisas de combate à pandemia.

A pesquisa vai estimar o percentual de gaúchos infectados com o SARS-CoV-2; determinar o percentual de infecções assintomáticas ou subclínicas; avaliar os sintomas mais comumente relatados pelos infectados; analisar a evolução quinzenal da prevalência de infectados no RS num período de 45 dias; fornecer estimativas do percentual de infectados, permitindo cálculos precisos da letalidade da doença; e estimar a sensibilidade e a especificidade do teste rápido. Serão testadas e entrevistadas, ao todo, 18 mil pessoas no Estado.

“Conhecer o percentual da população que já foi infectada, a velocidade com a qual a infecção se propaga e o percentual de infectados que são assintomáticos ou têm sintomas leves é muito importante para o planejamento das ações de controle da pandemia”, destaca o epidemiologista Bernardo Lessa Horta, um dos pesquisadores responsáveis pelo projeto.

Prever esses números é especialmente relevante no caso da Covid-19, pois estima-se que mais de 60% das pessoas infectadas apresentem sintomas leves ou até nenhum sintoma, mas podem transmitir a doença. Atualmente, foram notificados mais de 500 mil casos em todo o mundo, mas, como pessoas com sintomas mais graves apresentam uma maior probabilidade de realizar o teste, esse número não reflete a real prevalência de Covid-19 na população. “Para combater a epidemia, é preciso entender urgentemente a epidemiologia da doença”, afirma o diretor-presidente do Serrapilheira, Hugo Aguilaniu.

“Este é apenas um primeiro passo, mas é fundamental que seja feito o mais rapidamente possível, pois sem dados sólidos, nenhuma política de saída de crise é possível. Por isso decidimos apoiar este projeto”, conclui.

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