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Edson Bündchen Um projeto para chamar de nosso

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Engolfado por uma crescente radicalização política, o Brasil assiste à polarização turvar a visão de nossas lideranças, impedindo uma discussão lúcida sobre o futuro que almejamos. Nossas virtudes e o imenso potencial que reverenciamos com entusiasmo dormem silentes, enquanto outros países avançam e impõem um custo cada vez maior para a nossa indolência. Como bem lembrou o escritor Mia Couto, aquilo que somos não é o simples cumprir de um destino programado nos cromossomas, mas a realização de um ser que se constrói em trocas com os outros e com a realidade envolvente. Assim, pensar o nosso País num contexto de evolução consistente, equilibrada e aderente à dinâmica do mundo atual, requer novas capacidades para o enfrentamento de uma realidade crescentemente complexa, menos estável e segura do que outrora. Para tanto, não existem receitas prontas, caminhos já percorridos e que possam ser simplesmente replicados. Essa mudança de postura para um maior protagonismo, portanto, terá que ser original, construída com aquilo que temos de melhor e de pior, mas autônoma, corajosa e inovadora, essencialmente brasileira, por assim dizer.

O caminho para ingressar no seleto grupo dos países desenvolvidos é objeto de variadas teorias e múltiplas abordagens. De fatores geográficos, institucionais, culturais e do próprio acaso, as justificativas se multiplicam, restando, contudo, poucas explicações derradeiras. Por outro lado, essa falta de compreensão última dos porquês de algumas nações desfrutarem de pleno desenvolvimento, enquanto a maioria enfrenta a penúria, a fome, a violência e a falta de esperança, não impediu que algumas conclusões sobre o processo de desenvolvimento autóctone emergissem. Uma dessas conclusões evidencia que existe pouco comprometimento ou cooperação em questões de natureza estratégica entre as nações. É preciso construir um modelo próprio, a partir de nossos predicados originais, sob o risco de permanecermos estagnados, senão regredindo. Dessa forma, para que o Brasil aspire a um lugar dentre os países mais prósperos, há que se assumir, como bem assinala Mangabeira Unger, um componente de rebeldia, de não alinhamento automático a nenhum modelo preexistente. Teremos que construir o nosso projeto, e não será sem decisões difíceis e escolhas fundamentais. Uma delas, talvez a mais estratégica, é compreender qual o papel que o Estado brasileiro terá de agora em diante. Depois de décadas de estagnação, o Brasil não pode mais adiar o seu encontro com o futuro, sob pena de, não apenas deixar de ascender, mas desabar fragorosamente sob o peso de suas escolhas erradas ou imperdoável postergação.

O que torna mais urgente esse debate é a atual arena competitiva, fortemente impactada pela intermitência das mudanças, pelos avanços tecnológicos, por rivalidades geopolíticas que remodelam as cadeias produtivas e de suprimentos, pelas alterações climáticas, pelo fenômeno da imigração e por uma sociedade mais interligada, mais impaciente e menos sólida. É esse “pano de fundo” que condiciona hoje a discussão sobre um projeto nacional, infelizmente ainda inexistente. De concreto, existe uma necessidade inadiável por mudanças na atual abordagem, partindo de uma visão de curto prazo para médio e longo prazos, do estado perdulário e ineficiente, para um estado necessário, austero e competente, adequado às demandas de uma sociedade brutalmente desigual e com níveis indecentes de pobreza, violência e abandono. Não há como se falar em estado mínimo numa realidade como a brasileira. Não há, também, como suportar um estado inchado onde deveria ser enxuto, e insuficiente onde deveria estar mais presente. O estreito corredor que nos levará ao chamado “primeiro mundo”, passa por uma inescapável decisão de termos um projeto nacional, uma ponte que nos ligue ao amanhã. Essa construção é coletiva, precisa de uma ação coordenada de todas as inteligências de que o País dispõe, mas, acima de tudo, precisa de um mínimo de pacificação, maior tolerância e bom senso.

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