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Edson Bündchen Nossos minguados caraminguás

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Um dos problemas históricos do Brasil é a carestia. O elevado preço que o brasileiro paga é um fenômeno estrutural, e ocorre desde sempre. Somos um País onde as coisas custam muito caro, de alimentos a bens de consumo. Os motivos são evidentes: impostos em excesso para custear uma máquina pública dispendiosa e ineficiente, fretes caros, modal de transporte rodoviário num país continental, guerra tributária entre os estados, altos preços dos combustíveis, ambiente geral hostil aos negócios, burocracia asfixiante, fatores combinados que são comumente chamados de “custo Brasil”. Considerando a atual discussão em torno da reforma tributária, reforma administrativa e outras em curso, pode ser útil, de maneira simples e didática, discorrer sobre alguns aspectos da microeconomia, da vida como ela é, demonstrando o abismo que existe entre a nossa realidade e a de outros países, de sorte que tenhamos um parâmetro que ajude a compreender a acachapante deterioração do poder de compra no Brasil.

Para ilustrar o nosso exemplo, faremos um cotejo entre dois hipotéticos brasileiros, um morando aqui, e outro nos EUA. Imaginemos que ambos trabalhem como auxiliares de serviços gerais na rede Walmart, gigante do varejo, com lojas espalhadas pelo mundo, o que facilita o nosso exercício. Um auxiliar no Walmart dos EUA ganha em média U$ 12,00 a hora. Portanto, num mês, ele recebe cerca de U$ 2.000/2500, dependendo da carga horária. Um auxiliar de serviços gerais do Walmart, no Brasil, deve auferir cerca de R$ 2.000,00. Dessa forma, não precisamos fazer nenhum câmbio para avaliar o poder de compra de cada um, pois ambos ganham cerca de 2.000 unidades monetárias, o que facilita o raciocínio comparativo. Agora, vejamos o que se pode comprar com essa renda mensal. Fixemo-nos no poder de compra do empregado do Walmart americano: com um ano de salário, nosso imigrante compra uma camionete zero km, ou um Motor Home usado, em bom estado. Um Iphone custa meio salário do nosso hipotético trabalhador. Com U$ 400,00, ele adquire um Notebook de última geração. Com U$ 700,00, leva para casa uma TV 70 polegadas. U$ 8.000,00 (4 meses de salário), lhe permitem comprar um bom carro usado. E a gasolina? observem: U$ 0,85/litro. Um único salário mensal equivale a 2.350 litros de combustível! E os alimentos? A comida, comparativamente ao poder de compra, é barata por lá. Alguns preços: (Mercado Save a Lot-abr/21): um kg de cebola: U$ 1,90; Refrigerante 2 litros: U$ 0,89; Abacaxi: U$ 1,99; Hellmann’s grande: U$ 3,99; Óleo canola: 1,42 litros: U$ 1,99; Seis pacotes Miojo: U$ 1,19; Lata grande de sardinha: U$ 0,99; 9 kg de Arroz: U$ 8,39; Um kg de Feijão: U$ 2,58; Dois litros Suco de Uva: U$ 2,89; Um kg de contrafilé: U$ 6,50; Um kg de bisteca de porco: U$ 4,20. A lista poderia continuar, mas já é possível estabelecer um parâmetro que denota o descompasso entre o nosso poder de compra “vis-à-vis” com o americano.

A comparação proposta é bastante ilustrativa da enorme diferença que existe no valor da remuneração para trabalhos idênticos, espelhados no poder de compra bastante assimétricos. Não causa, assim, nenhuma surpresa a busca incessante de imigrantes pelo “sonho de consumo americano”. Ainda estamos, infelizmente, muito longe dessa realidade. Somos um País caro e injusto, com níveis precários de produtividade. Nossa carga fiscal recai de modo muito desigual sobre a população, especialmente sobre os mais pobres. Uma reforma tributária consistente deve atacar a raiz desse problema. Muitas outras mudanças precisam logicamente serem feitas, a começar pela diminuição do tamanho do Estado, por investimentos maciços em educação, saúde e segurança, pela redução da burocracia e incentivos ao empreendedorismo e alterações nas leis trabalhistas. A lista de prioridades é gigantesca. Por isso mesmo, é hora de reconhecer o problema e partir em busca de soluções. 2022 está próximo, e a escolha das urnas fará toda a diferença para que esse novo caminho seja construído.

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