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A Polícia Federal deflagrou uma operação sobre propina da empreiteira Odebrecht para senadores

A defesa de Romero Jucá destacou que o senador não foi alvo da operação. (Foto: Jose Cruz/Agência Brasil)

A PF (Polícia Federal) deflagrou na manhã desta quinta-feira (8) a Operação Armistício, para investigar suposta propina paga pela empreiteira Odebrecht a senadores em troca da aprovação, em 2012, de um projeto de resolução no Senado que restringia a chamada “guerra fiscal nos portos”. Nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos em São Paulo. Os investigadores apontam indícios de prática de corrupção e lavagem de dinheiro. Todos os mandados da Armistício são de busca e apreensão e foram cumpridos nas cidades de São Paulo (7), Santos (1) e Campo Limpo Paulista (1). Os alvos da operação foram os supostos beneficiários da resolução aprovada no Senado.

Embora sejam investigados no inquérito, os senadores Renan Calheiros (MDB-AL), Romero Jucá (MDB-RR) e o ex-senador Gim Argello não estavam entre os alvos da operação. A ordem que permitiu a deflagração da operação foi dada pelo ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), a pedido da procuradora-geral da República, Raquel Dodge.

No documento, o ministro reproduz as afirmações da PGR (Procuradoria-Geral da República) de que há “robustas suspeitas de possível prática de crimes de corrupção e de lavagem de dinheiro, em razão da articulação dos parlamentares apontados, de pessoas a estes relacionados e das empresas pelas quais já se identificou a circulação de capital referente a vantagem indevida, de forma dissimulada”.

Na decisão, o ministro conclui: “o conjunto de informações trazido à tona revela singular gravidade, com o envolvimento de autoridades de Estado que estariam, em tese, associadas a delitos de operação sofisticada como os de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva”.

Os dois senadores e o ex-senador são investigados sob a suspeita de receber dinheiro para favorecer, por meio da aprovação do projeto de resolução, a Braskem, uma das empresas do grupo Odebrecht.

Romero Jucá

A defesa de Romero Jucá destacou que o senador não foi alvo da operação, que ele já prestou esclarecimentos sobre o assunto e que não foi o responsável pelas tratativas que resultaram na aprovação do projeto de resolução. A defesa de Renan Calheiros diz que a inclusão do nome dele no inquérito foi “um grave equívoco” do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot. A defesa de Gim Argello informou que só vai se pronunciar “depois de ter acesso à integralidade da operação”.

Segundo a PGR, os supostos pagamentos indevidos foram mencionados nos depoimentos de três colaboradores, incluindo Marcelo Odebrecht, um dos donos da empreiteira. O executivo contou aos investigadores ter conversado com integrantes do Executivo Federal que indicaram parlamentares que poderiam “trabalhar em prol do assunto no Senado”.

Documentos que pautaram a investigação indicam que os pagamentos foram feitos em espécie e se iniciaram logo após a aprovação da matéria no Senado, em 24 de abril de 2012. As investigações apontaram também que o dinheiro circulou em uma conta identificada pelo sistema da Odebrecht como “conta botox”, operada por funcionários do Tradbank Investimentos Participações.

Ainda de acordo com os colaboradores, os pagamentos foram coordenados pelo Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, o chamado “departamento da propina”. Para dar aparência de legalidade e justificar a transferência de valores teriam sido firmados contratos fictícios de prestação de serviços.

“Por meio desse engenhoso esquema de lavagem, a Odebrecht abastecia o doleiro que fazia o repasse de dinheiro às autoridades brasileiras e, ao mesmo tempo, dificultava o rastreamento da real origem do numerário”, afirmou Dodge.

 

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