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Argentinos vão às urnas no domingo com o pior cenário econômico e social em dez anos

Um bom termômetro para medir a satisfação dos argentinos são os protestos de rua. (Foto: Reprodução)

O argentino que vai às urnas em primeiro turno neste domingo, dia 27 de outubro, está mais pobre, tem medo do desemprego e de alguma forma é afetado pelos impactos da inflação, que este ano deve fechar em 55%. O país enfrenta sua pior crise econômica e social em uma década, processo que se agravou nos últimos anos. A fome voltou à pauta do dia e o número de sem tetos cresceu 35% em três anos. A produção do país está em queda e o PIB, que em 2018 registrou uma retração de 2,5%, deve voltar a cair em 2019.

As projeções de sete institutos de pesquisa, divulgadas na sexta, dia 18, apontam aquilo que as ruas já vêm demonstrando há meses: as chances de o presidente Maurício Macri, da coalizão Juntos pela Mudança, reverter a derrota das primárias são praticamente nulas, e a vitória se encaminha para o candidato da chapa peronista, Alberto Fernández, da Frente de Todos, que tem a ex-presidente Cristina Kirchner como candidata a vice. A maior diferença chega a 22 pontos nas pesquisas.

Depois de 12 anos comandando o país – primeiro com Nestor, de 2003 a 2006, depois com Cristina, de 2007 a 2015, em dois mandatos – os Kirchner podem voltar ao poder, desta vez como vice de Alberto Fernandez, peronista que se define como “liberal de esquerda”, ou “liberal progressista”, nas suas próprias palavras.

Um bom termômetro para medir a satisfação dos argentinos são os protestos de rua. Nos últimos anos eles cresceram quase que na mesma proporção que a piora dos indicadores sociais e econômicos. Os argentinos protestam quando o dólar sobe, quando a produção de leite cai e quando mais vagas de empregos são fechadas. Só no ano passado, os moradores da Villa 21-24, em Barracas, saíram às ruas pelo menos 200 vezes. “Queremos um bairro melhor, e para isso precisamos de trabalho. Primeiro, o que mais buscamos é visibilizar os trabalhadores da economia informal. Aqui somos 30% de gente que está desempregada”, afirma Lucas Bogado, que desde 2016 integra a Junta Vecinal da comunidade, que é a mais populosa de baixa renda da capital argentina, com mais de 80 mil habitantes.

Desemprego na Argentina

Em 9 de julho deste ano, feriado da Independência, um ato que reuniu milhares ao redor do Obelisco acabou com repreensão policial. No local, centrais sindicais organizaram uma ação para distribuir comida, cobertores e colchões para moradores de rua. Formaram-se longas filas. E quando o movimento tentou sair em marcha foi impedido pela polícia, que usou bombas de gás para dispersar a manifestação.

Dados do Observatório da Dívida Social Argentina, da Universidad Catolica Argentina (UCA), mostram que 62,6% dos lares no país vizinho sofrem com ao menos uma carência social. Das moradias que apresentam algum tipo de deficiência, 31,9% apresentaram déficits educacionais e 30,2% tem dificuldades para acessar serviços básicos. Dificuldades para acesso à alimentação e saúde são registradas em 22,8% da famílias.

A fome, ou inseguridad alimentaria, como é classificado o indicador, atinge 7,9% da população, chegando a 6% dos lares argentinos. Tal dado também pode ser medido pela concentração dos chamados “comedores”, espécie de cozinhas comunitárias instaladas, principalmente, nas regiões mais carentes. Só em Buenos Aires são 455 comedores. E, em todo o país, dados do Ministério da Saúde e Desenvolvimento Social da Argentina revelam que cerca 223 mil pessoas frequentam esses locais.

Inflação na Argentina

Uma pesquisa realizada com estudantes do programa de educação para adultos da escola de ensino médio do Pólo Educativo de Barracas mostrou que a maioria dos estudantes adultos afirma que faz suas principais refeições na própria instituição de ensino e 31,7% relataram que nos últimos 30 dias não tinham nada para comer em casa pelo menos uma vez. Desses, 53% disseram que a falta de comida em casa se repetiu mais de dez vezes em um mês.

“Isso demonstra a demanda que as pessoas do bairro têm por qualificação educacional. Elas sabem que esse é o único caminho para conseguirem melhores postos no mercado de trabalho ou até mesmo para conseguirem vencer o desemprego”, conta Leonor Gallardo, coordenadora do projeto.

Já os números do Instituto Nacional de Estatísticas e Censo (Indec), órgão oficial do governo argentino, mostraram no início de outubro que 3,8 milhões de argentinos entraram para o grupo de pessoas abaixo da linha da pobreza. Agora, são mais de 15 milhões de argentinos, 35,4% da população, nessa faixa.