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Companhia aérea mexicana oferece voos pelo preço de 1 dólar para migrantes que queiram voltar para América Central

Para voltar, é preciso levar apenas um documento de identidade. (Foto: Reprodução)

Na última quinta-feira a companhia aérea mexicana Volaris lançou o programa “reagrupamento familiar”, oferecendo voos a apenas US$ 1 a imigrantes da América Central que estão no México e queiram voltar a seus países de origem até 30 de junho. No ano passado, a empresa já havia disponibilizado voos gratuitos para reunir famílias separadas pela política de “tolerância zero” do presidente americano Donald Trump. As informações são do jornal O Globo.

Agora, os imigrantes que queiram voltar para Costa Rica, El Salvador e Guatemala poderão viajar pagando US$ 1 e taxas nos aeroportos de Tijuana, Ciudad Juarez, Guadalajara e Cidade do México. Para isso, precisam levar apenas um documento de identidade.

“Desta forma, a Volaris reforça seu compromisso de unir famílias e colaborar oferecendo uma solução alternativa para o fenômeno migratório dos últimos meses”, disse a empresa em um comunicado.

Na quinta-feira, os presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, e salvadorenho, Nayib Bukele, lançaram um programa de desenvolvimento econômico para a América Central com um investimento inicial de US$ 30 milhões.

Os mandatários se encontraram na cidade mexicana de Tapachula, na fronteira com a Guatemala , ponto de passagem para centenas de milhares de centro-americanos que tentam chegar aos Estados Unidos escapando da pobreza e da violência.

“Iniciamos com mais de US$ 30 milhões de transferência direta dentro de um programa que contempla mais de US$ 100 milhões”, disse o chanceler mexicano Marcelo Ebrard ao apresentar o programa.

Na sexta-feira, Ebrard anunciou que o México se reunirá com 19 países para discutir um plano de desenvolvimento para a América Central, como parte dos esforços para impedir a migração ilegal para os Estados Unidos.

Imigração no sul

O aumento da repressão na fronteira Sul do México, na divisa com a Guatemala, está obrigando os imigrantes de países centro-americanos a procurar rotas clandestinas onde eles ficam mais sujeitos à ação de traficantes de pessoas e têm dificuldades de acesso a serviços de saúde, afirmou na quinta-feira a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras.

Segundo Sergio Martín, diretor da MSF no México, suas equipes nas cidades de Tenosique e Coatzacoalcos, próximo à fronteira guatemalteca, assistiram nos últimos dias a operações de prisão em massa de imigrantes. Uma delas aconteceu quando os centro-americanos recebiam cuidados médicos e kits de higiene dos profissionais da organização.

“Já estamos vendo as consequências de criminalizar os imigrantes e solicitantes de asilo e de empurrá-los à clandestinidade”, disse Martín. “Menos pessoas procuraram atendimento médico nos últimos dias.”

O presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador, o primeiro líder de esquerda a chegar ao cargo no país em décadas, tomou posse em dezembro de 2018 prometendo acolher os imigrantes de países centro-americanos, que desde o início do ano passado vinham se movimentando em caravanas pelo território mexicano, tentando chegar aos Estados Unidos.

No entanto, Obrador acabou mudando radicalmente sua política diante da pressão do presidente americano Donald Trump , que fez do combate à imigração irregular um dos motes do seu governo e de sua campanha à reeleição. O número de deportados do território mexicano passou de 5.717 em dezembro para 14.970 em abril deste ano, de acordo com dados preliminares divulgados pelo INM(Instituto Nacional de Migração) mexicano.

Há duas semanas, depois que Trump ameaçou impor tarifas sobre todos os produtos mexicanos a menos que o país vizinho reduzisse a imigração a zero, o governo de Obrador concordou em enviar para 13 pontos da fronteira com a Guatemala 6 mil homens da recém-criada Guarda Nacional, destinada inicialmente a combater o crime organizado. O envio seria completado até esta sexta-feira.

Segundo Martín, do MSF, em vez de viajar em caravanas os imigrantes agora vão em grupos pequenos.

“Eles são forçados a pegar caminhos perigosos, dominados por criminosos e onde não têm acesso a abrigos nem a serviços básicos de saúde. Um número maior de imigrantes tenderá a recorrer a contrabandistas de pessoas, que devem se beneficiar dessa situação.”

O diretor da MSF também comentou a situação na fronteira Norte do México, em cidades como Mexicali, Tijuana e Nuevo Laredo, onde — mediante outro acordo feito com o governo Trump —, os imigrantes são obrigados a esperar a respeito aos pedidos de refúgio feitos nos postos americanos da fronteira. Segundo Martín, além dos centro-americanos estão nessa região muitos cubanos, congoleses, angolanos e camaroneses:

“Nessas cidades perigosas, os imigrantes são bucha de canhão, expostos a quadrilhas cujo negócio é a extorsão dessas pessoas.”