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Funcionários de uma fábrica de lustres em São Paulo chegaram para trabalhar e não encontraram os chefes

Chefes esvaziaram gavetas e sumiram. (Foto: Reprodução)

Funcionários de uma fábrica de lustres e luminárias de médio porte em São Paulo chegaram para trabalhar no fim de janeiro e não encontraram os chefes. Desde então, não têm informações sobre salários, empregos e o paradeiro dos antigos patrões.

Os administradores esvaziaram as gavetas, deixaram as chaves dos carros sobre a mesa e não voltaram mais para trabalhar, segundo relatos dos funcionários, que agora fazem vigília na Lustres Projeto, na zona sul de São Paulo.

A saída inesperada deixou a situação trabalhista de 34 profissionais paralisada, já que a empresa não deu baixa nas carteiras de trabalho.

Além disso, o conflito tem um elemento curioso: eles não sabem mais quem é o chefe.

O imbróglio começou com a troca de comando, em julho de 2017. Sandro Leite e Dalziro de Souza assumiram a empresa perante os funcionários. Ela era de Leôncio Cardoso e de Antônio Mendonça.

Um contrato da venda do estabelecimento circula entre os funcionários. Ele está assinado pelas partes, mas tem caráter de intenção.

O documento diz que Leite e Souza deveriam depositar R$ 225 mil na empresa e que a compra total superaria R$ 1,1 milhão, a ser quitado a partir de 10 de janeiro de 2018.

O contrato estipula que todas as dívidas fiscais, trabalhistas, bem como os débitos a terceiros, deveriam ser apresentados até julho de 2017.

Em uma reunião nessa data, os dois se apresentaram como os novos chefes. A situação não melhorou. Os salários chegavam pingados à conta, e os operários ameaçaram parar algumas vezes.

“No começo, eles fiscalizavam o pessoal, não deixavam ficar na internet, no WhatsApp. De uns meses para cá, comentavam notícias, ficavam no Facebook, davam a entender que estavam planejando a saída”, diz Gustavo Duarte, projetista de luminárias.

Em 2018, eles realizaram duas demissões coletivas. A responsável pelo RH foi embora. A situação piorou até Leite e Souza deixarem a empresa.

De acordo com os trabalhadores, pedidos de clientes não foram entregues. A clientela da Projeto inclui empresas como Scania, Tramontina, Odebrecht e Ibis.

Apesar de Leite e Souza terem sumido, na Junta Comercial, a Projeto e o Centro Avançado, outra parte da operação, ainda pertencem a Cardoso e a outros três sócios minoritários, que é o que importa para a Justiça.

Alguns funcionários ligados ao escritório relatam que a última gestão recebia pagamentos na conta de outra empresa, a Sparta, cujo CNPJ está no nome de Leite.

Com o sumiço de todos os integrantes do alto escalão, os operários ajuizaram um dissídio coletivo de greve no Tribunal Regional do Trabalho.

Alegaram atraso de salário de janeiro, não pagamento de parte do 13º e do FGTS, este pendente há quatro anos.

A Justiça convocou uma audiência de conciliação no dia 13 de fevereiro, mas nenhum dos possíveis chefes apareceu.

Com isso, os bens da empresa e dos sócios que constam da Junta foram bloqueados.

Procurado, Cardoso confirma que a Sparta —dos últimos chefes— administrou tanto a metalúrgica como o centro avançado. Ele afirma, no entanto, que não foi pago.

“Eles compraram, mas não me pagaram”, diz. Segundo ele, a dívida para ele e outros sócios chega a R$ 1,8 milhão.

Já Leite afirma que entrou na empresa como comprador e, só um tempo depois, verificou que a dívida era cinco vezes maior do que a informada pelo vendedor.

O contrato que circula entre os funcionários não foi concretizado, segundo ele. “Cardoso nunca quis tirar o nome dele da empresa. Nunca fiz nada sem a assinatura dele.”

Os trabalhadores aguardam o desfecho do dissídio coletivo e a determinação do tribunal para saber quais as medidas jurídicas devem adotar.

Parte deles ocupa a frente da fábrica com cartazes em que pedem ajuda. “Liberem a gente para seguirmos nossas vidas”, diz um deles na porta da fábrica.

“Os últimos chefes dizem que não têm mais nada a ver com isso porque devolveram a empresa. Só queremos que qualquer um apareça e dê baixa na nossa carteira”, diz José Marques, ex-funcionário.

Sem dinheiro na conta, eles relatam dificuldade de pagar aluguel e pensão familiar.

A fábrica fica em um local alugado de 17,8 mil metros quadrados. Dezenas de máquinas, guilhotinas, serralheiras e soldas acumulam pó com quilos aço, ferro e alumínio há dois meses.

Além disso, sete carros estão parados na garagem. “Se sairmos daqui, cara vem e rouba tudo”, diz Marques, um dos vigias.

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