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Riqueza dos bilionários “encolhe” pela primeira vez desde 2015

Em dólares, o patrimônio líquido dos mais ricos da China caiu 12,8%. (Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

As pessoas mais ricas do mundo ficaram um pouco menos abastadas no ano passado. Segundo um relatório do banco UBS e da consultoria PwC, turbulências geopolíticas e mercados voláteis de ações reduziram a riqueza dos bilionários pela primeira vez desde 2015.

A riqueza dos bilionários caiu globalmente em US$ 388 bilhões, para US$ 8,539 trilhões, com um declínio particularmente acentuado na China – o segundo país com maior número de bilionários do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos – e na região da Ásia-Pacífico em geral.

Bancos privados, incluindo o maior gestor de patrimônio do mundo, o UBS, sentiram os efeitos das tensões comerciais entre EUA e China e as incertezas políticas globais, com os clientes no ano passado evitando negociar e assumir dívidas para acumular mais dinheiro.

Em dólares, o patrimônio líquido dos mais ricos da China caiu 12,8%, devido às quedas das Bolsas e uma moeda local mais fraca, e à medida que o crescimento da segunda maior economia do mundo perdeu ritmo e caiu para seu menor nível em quase três décadas em 2018.

Apesar da queda, a China continua ganhando um novo bilionário a cada 2 a 2,5 dias, disse no relatório o chefe de clientes ultra-ricos do UBS, Josef Stadler. Em todo o mundo, o número de bilionários caiu em todos os lugares, exceto nas Américas, onde os empreendedores de tecnologia continuaram a aumentar as fileiras dos mais ricos dos Estados Unidos.

“Este relatório mostra a resiliência da economia dos EUA”, onde havia 749 bilionários no final de 2018, disse John Matthews, chefe de gestão de patrimônio privado e negócios de patrimônio líquido ultra-alto do UBS nos Estados Unidos.

Embora a recuperação do mercado de ações depois de uma queda acentuada no final de 2018 tenha ajudado os gestores de patrimônio a aumentar seus ativos, as famílias mais ricas do mundo continuam preocupadas com os assuntos globais, desde as tensões comerciais e o Brexit até o populismo e as mudanças climáticas – continuam a manter mais dos seus recursos em dinheiro vivo.

No Brasil

A riqueza dos bilionários brasileiros conseguiu ter alta mesmo em um cenário adverso para a economia local. Além do baixo crescimento do PIB, o real também se desvalorizou sobremaneira no ano passado. O dólar subiu cerca de 17% durante o ano de 2018, com a moeda americana saindo da casa dos 3,30 reais no fim de 2017 e passando dos 4 reais em vários momentos do ano — parte em virtude da instabilidade gerada pela eleição presidencial, somada à fraca recuperação da economia brasileira. Isso implica que o patrimônio dos bilionários brasileiros cresceu em dólar, moeda padrão usada pelo UBS no comparativo, mesmo com a moeda brasileira desvalorizada.

Também na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a edição deste ano da Síntese de Indicadores Sociais, com o pior índice de extrema pobreza no país desde 2015. O estudo mostra que, em 2018, 13,5 milhões de brasileiros viviam com menos de 145 reais, situação considerada de extrema pobreza — um contingente de pessoas maior do que a população da Bolívia. A desigualdade de renda no Brasil, isto é, a diferença de ganhos entre os mais ricos e os mais pobres, também vêm crescendo desde 2015.

Na América Latina, patrimônio também caiu

Com a economia da América Latina caminhando a passos lentos, Brasil e Peru foram os únicos países da região, dentre os cinco que tiveram seus dados detalhados no relatório do UBS, em que a riqueza dos bilionários teve alta.

A região, que inclui os países da América do Sul, América Central e México, terminou 2018 com mais bilionários do que em 2017 (97 ante 84 no ano anterior), mas com riqueza acumulada menor. Os bilionários latino-americanos possuíam, ao todo, 371,6 bilhões de dólares em patrimônio em 2018, baixa de 3,7%.