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Um delator disse que o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral utilizou até helicóptero para transportar propina

Miranda também mencionou 17,5 milhões em subornos na área de rodovias. (Foto: YouTube/Reprodução)

Em depoimento de delação premiada, um dos principais assessores do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (2007-2014) disse que a organização criminosa do emedebista utilizou até mesmo um helicóptero para transportar dinheiro oriundo de propina.

Operador financeiro e “homem da mala”, Carlos Miranda confirmou mais de uma vez em depoimentos à Justiça que recebia e levava dinheiro para o esquema de corrupção comandado por Cabral. Em novos trechos de sua delação premiada, ele afirmou ter recebido em 2012 uma ordem do então secretário de governo Wilson Carlos para fazer pagamentos mensais de R$ 100 mil a Carlos Lupi, presidente nacional do PDT desde 2004.

Miranda detalhou que pagava para uma pessoa conhecida por “Senhor Loureiro”, que seria tesoureiro do PDT, e que as entregas eram feitas na sede do partido pelos funcionários do doleiro Renato Chebar. Os pagamentos teriam sido realizados de 2012 até março de 2014.

O ex-assessor já disse que o esquema chefiado por Cabral movimentou R$ 500 milhões e, com quantias tão grandes e tanta gente interessada em botar a mão no dinheiro o quanto antes, ele não podia perder tempo. Em outro trecho da delação, ele revelou que, para recolher R$ 400 mil de uma empresa no interior fluminense, chegou a alugar um helicóptero. O transporte aéreo da propina, oriunda de ilícitos na área da saúde, diz ele, ocorreu na campanha eleitoral de 2010.

Miranda contou aos procuradores que o homem por trás do dinheiro era Ronald de Carvalho, empresário muito amigo de Luiz Fernando Pezão, atual governador do Rio, que, na época, era vice-governador de Cabral. Carvalho é dono da Metalúrgica Valença, que teve contratos milionários com o governo do Rio para construir contêineres das UPA (Unidades de Pronto Atendimento). O TCU (Tribunal de Contas da União) já apontou irregularidades nesses contratos.

Ele também mencionou pagamentos de propina para a Secretaria de Meio Ambiente no primeiro mandato de Sérgio Cabral, entre 2007 e 2010. É a primeira vez que nomes da pasta aparecem nas investigações.

A construtora Queiroz Galvão teria destinado R$ 300 mil à ex-presidente do Inea (Instituto Estadual do Ambiente), Marilene Ramos, e a Carlos Minc, então secretário de Meio Ambiente de Cabral, que era do PT. Ex-PT, Minc é hoje deputado estadual pelo PSB. Miranda não soube dizer, porém, como os dois dividiram o dinheiro.

Empreiteiras

No mesmo depoimento, concedido nessa terça-feira à Justiça Federal, Carlos Miranda detalhou o recebimento e a distribuição de propina do DER-RJ (Departamento de Estradas de Rodagem do Rio de Janeiro) ao ex-governador Sérgio Cabral. O montante teria alcançado R$ 17,5 milhões, de acordo com o Ministério Público Federal.

Outros R$ 17,5 milhões ficariam com Henrique Alberto Santos Ribeiro, ex-presidente do órgão.
O delator contou que recebia a propina a cada 40 ou 45 dias, de acordo com o ritmo de pagamentos do Estado às empresas. De acordo com denúncias, empreiteiras pagavam propinas para garantir obras prestadas para o DER.

O dinheiro era repassado pelo departamento para os integrantes do esquema criminoso. Ele recebia as vantagens indevidas em seus escritórios, inicialmente no bairro do Leblon e depois no Jardim Botânico, ambos na Zona Sul do Rio de Janeiro, e depois repassava o dinheiro sujo para Cabral.

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