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Geral 74% dos professores disseram que não são respeitados como mereceriam e 77% afirmaram que sua profissão não é valorizada pela sociedade

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Ao mesmo tempo que se sentem desvalorizados, os professores se orgulham da carreira. (Foto: Divulgação)

Lançado às vésperas do retorno obrigatório das aulas presenciais, um estudo promovido pelo Instituto Península constatou que, entre os professores das escolas públicas e privadas de ensino básico do País, 74% disseram que não são respeitados como mereceriam e 77% afirmaram que sua profissão não é valorizada pela sociedade.

A conclusão é preocupante, uma vez que a formação escolar das novas gerações e, por consequência, o futuro do País dependem justamente do professorado do ensino fundamental e do ensino médio. O mais surpreendente é que a corporação tem consciência da importância de seu ofício, como revela o estudo do Península, uma ONG que atua há dez anos nesse segmento da área educacional. Segundo o estudo, 52% dos docentes disseram ter orgulho do que fazem. E, de cada três entrevistados, dois afirmaram que, se pudessem voltar no tempo, optariam novamente por serem professores.

Mais importante ainda, muitos dos entrevistados que chamaram a atenção para a honra, a dignidade e o respeito como atributos da carreira docente atuam em escolas da rede pública localizadas em favelas, bairros e cidades das regiões metropolitanas de todo o País marcados pela pobreza e pela violência. Eles também deixaram claro que encaram o ato de ensinar como um “modo de preparação e transformação” dos alunos das escolas públicas, a fim de que possam ter as mesmas condições que os estudantes das escolas particulares para ingressar no ensino superior e ou, então, de se inserir no mercado de trabalho.

“Parte da falta de reconhecimento da sociedade é o não entendimento de que sem a educação o resto das engrenagens do País vai rodar capenga. O professor é a peça-chave do desenvolvimento”, afirma a diretora do Instituto Península, Heloisa Morel. Atualmente, há 2 milhões de professores lecionando nas escolas brasileiras. O problema é que o piso salarial da categoria, hoje em torno de R$ 3 mil por mês, é baixo. Na pesquisa, 90% dos professores se queixaram do quanto ganham. Mas, surpreendentemente, quando indagados sobre como poderiam ser mais valorizados, colocaram temas como condição de trabalho, aprimoramento da carreira e reconhecimento pela sociedade à frente da questão salarial.

Essas afirmações vão ao encontro de pesquisas semelhantes feitas em países como Canadá, Cingapura e Chile, onde os níveis de aprendizagem escolar vêm crescendo significativamente. Isso se deu porque os governos desses países investiram justamente nas condições de trabalho, no aprimoramento da carreira e na valorização docente, que são as reivindicações dos professores brasileiros.

Esse é o mérito do estudo do Instituto Península. Ele mostra que os professores têm consciência de sua importância, que se orgulham do que fazem e que encontram na interação com os alunos a motivação para continuar o ensino. Resta esperar que as autoridades educacionais se inspirem nessa pesquisa para formular uma política educacional responsável, em vez de perder de tempo com questões menores e ideológicas. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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