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Colunistas A culpa é do WhatsApp?

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Foto: Reprodução

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Na semana passada assistimos, infelizmente, dois fatos que fazem jus ao questionamento proposto. O primeiro virou notícia mundial pautada pelo atentado criminoso do Tiu França em Brasília. O segundo teve uma repercussão infinitamente menor, e não deve passar batido: o racismo.

Claro que todos os meios de comunicação, em suas diferentes plataformas, tem tratado ambos os casos com o devido critério das boas práticas do jornalismo. Em relação ao acontecido na capital federal, até escrever esse texto, existe clareza sobre as motivações que alimentaram o terrorista. Sim, terrorista ele promoveu e expôs milhares de pessoas a perigo e o patrimônio público. Esse conceito está expresso na Declaração sobre Medidas para Eliminar o Terrorismo Internacional da ONU, do qual o Brasil é signatário.

Depois do episódio não restaram dúvidas que o Tiu já havia manifestado, nas suas redes, e ameaçado figuras públicas e dando um, avant-première do que iria fazer. É importante reconhecer a competência e eficácia da polícia judicial e dos agentes de segurança que rapidamente interceptaram o criminoso quando ele iniciou o atentado, impedindo uma tragédia com várias vítimas.

No caso de racismo, refiro-me ao processo eleitoral da OAB Barra da Tijuca onde a diretora de eventos da entidade compartilhou em um grupo de WhatsApp vídeo com a frase “advocacia de verdade, sem ciganos, sem forasteiros, sem traidores”.

A disputa pelo comando da subseção do bairro no Rio de Janeiro tem a filha de uma cigana como candidata a vice-presidente. A primeira cigana a se formar em Direito no Brasil. Inacreditável foi o que ela disse após sua mensagem racista, que ela negar ser autora, ter virado notícia: “por descuido a mensagem, sem qualquer intenção de incitar ódio, preconceito ou discriminação, de qualquer tipo.” Disse mais: “O descuido ocorreu diante da multiplicidade de mensagens recebidas em momento de alegria e euforia”.

Feito a contextualização sublinho que a intenção desse artigo não é registrar constatações já públicas e sim propor uma reflexão a partir de dois conceitos. O primeiro é parte de um texto do Paulo Coelho inspirado, segundo alguns, numa frase de Buda. Nós somos o que pensamos. Tudo o que somos surge de nossos pensamentos. Com o pensamento, construímos e destruímos o mundo. Ficou para lá de comprovado, via redes, que o Tiu fez surgiu do seu pensamento. Ele tentou materializar o seu pensar. Deu no que deu.

O outro conceito é uma versão minha do texto de um dos pais do pensamento liberal, o economista francês Frédéric Bastiat com o título “O que se vê o que não se vê”. Não vou entrar no enfoque econômico do autor, mas me permito a enquadrar que o que temos assistido nos campos do racismo, preconceito e atos terroristas permite a analogia. Desnecessário usar outras abordagens para tal, como a análise do discurso, em ambos os casos.

Portanto, responsabilizar o WhatsApp e outras redes sociais por facilitar atos criminosos é desconsiderar a realidade que a amplitude dos meios aproximaram ideias, conhecimentos, gostos, opções de A a Z. De todos os lados. Hoje contesto a expressão, que aprendi e preguei por décadas, do filósofo canadense McLuhan: O Meio é a Mensagem. Na sua opinião ainda é?

*Gil Kurtz é publicitário, diretor da KG CONSULTORIA e vice-presidente de marketing e Comunicação do Fórum Latino-americano de Defesa do Consumidor, Conselheiro da ADVB RS e AJE POA.

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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