Sábado, 30 de agosto de 2025
Por Redação O Sul | 29 de agosto de 2025
A maioria da população brasileira é favorável à estabilidade dos servidores, mas defende um freio no pagamento de supersalários no serviço público e também cobra uma avaliação por desempenho e maior diversidade nos cargos, conforme pesquisa do Instituto Datafolha encomendada pelo Movimento Pessoas à Frente.
Segundo o levantamento, 83% dos brasileiros disseram ser a favor de uma regulamentação efetiva do teto constitucional dos salários para que nenhuma remuneração ultrapasse esse limite – de R$ 46.366,19, equivalente ao salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Algumas categorias, como Judiciário e Ministério Público, têm benefícios pagos acima do teto, conhecidos como “penduricalhos”.
Somente no caso dos juízes, os pagamentos acima do teto somaram R$ 10,5 bilhões em 2024, incluindo remunerações por acúmulo de serviço e auxílio saúde. Em 2021, a pesquisa havia apontado que 93% dos brasileiros eram contra o pagamento de auxílios além do teto constitucional. Agora, perguntados sobre a regulamentação, oito em cada dez entrevistados defendem uma mudança para que a regra seja cumprida.
“A população é contra e está na mão da classe política dar uma resposta para a sociedade e frear os supersalários”, diz Jessika Moreira, diretora executiva do movimento, que reúne especialistas, parlamentares, servidores públicos e integrantes do terceiro setor. “Qualquer proposta de reforma administrativa que não enfrente essa questão não estará respondendo os anseios da população, que clama por uma solução para esse problema que deslegitima e gera uma descrença no serviço público.”
Foram entrevistadas 2.008 pessoas, com margem de erro dois pontos porcentuais para mais ou para menos, de forma presencial entre os dias 9 e 12 de junho em todas as regiões do País. A íntegra dos resultados foi publicada ontem.
De acordo com a pesquisa, 75% dos brasileiros acreditam que a estabilidade no serviço público é importante para a proteção dos funcionários contra eventuais pressões ou perseguições. Ao mesmo tempo, 94% afirmam que os funcionários públicos deveriam ser avaliados constantemente, sendo recompensados e responsabilizados pelo resultado apresentado.
“Aliar a segurança do servidor agindo a partir da estabilidade com a gestão de desempenho com base em metas institucionais, com acompanhamento, monitoramento e avaliação dessas metas, é a forma de alcançar o equilíbrio entre a segurança contra pressões e perseguições e o incentivo à qualidade dos serviços e políticas públicas entregues na ponta”, diz Eduardo Couto, coordenador de Conhecimento do Movimento Pessoas à Frente.
A Câmara montou um grupo de trabalho para elaborar uma proposta de reforma administrativa – que deve tocar nos supersalários e na avaliação por desempenho, segundo o coordenador do grupo e relator, deputado Pedro Paulo (PSD-RJ).
A pesquisa mostra ainda que 82% dos entrevistados concordam em reservar vagas para mulheres, pessoas negras, indígenas e quilombolas em concursos públicos, e 80% dizem ser a favor de vagas em cargos de liderança para esses grupos, incluindo em diretorias de escolas, hospitais, fóruns e repartições.
Os brasileiros deram nota de 6,9 ao serviço prestado pelos funcionários públicos no País, em uma escala de 0 a 10. A avaliação representa um aumento de 0,5 ponto em relação à pesquisa feita em 2021. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.