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Colunistas Heranças do escravismo (um legado de desigualdades)

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Foram, oficialmente, quase 400 anos de escravidão negra em nosso país. (Foto: Johann Moritz Rugendas)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

O escravismo de povos africanos no Brasil manchou a nossa história, claro que essa não foi a única, mas por certo, a mais grave.

A colonização portuguesa, que ocorreu em forma de exploração dessa terra e suas riquezas, foi o principal motivo das consequências culturais e sociais “danosas”, que até hoje, afetam a nossa sociedade.

Foram, oficialmente, quase 400 anos de escravidão negra em nosso país, milhões de nativos africanos foram separados de suas famílias e conduzidos contra a sua vontade para o Brasil, para servirem ao trabalho escravo em lavouras de cana-de-açúcar e em várias outras produções, engenhos de açúcar, minas de ouro, charqueadas, domésticos, ganhos e tantos outros serviços difíceis, pesados, insalubres e degradantes.

Os trabalhos eram cruéis, mas não menos que os castigos aos quais os escravizados eram submetidos sucessivamente, isso tornava suas vidas, em geral, sofrida e curta.

Toda essa crueldade, que iniciava com o tráfico de pessoas africanas para o Brasil, passando pelo comércio interno de compra e venda de seres humanos, era amparada por lei, sim, o escravismo fazia parte da cultura da sociedade do período colonial brasileiro e rendia grandes lucros aos traficantes, comerciantes e fazendeiros.

A Princesa Isabel, filha de D. Pedro II, imperador da Monarquia brasileira do século XIX, assinou em “13 de maio de 1888”, a “Lei Áurea”, que acabou com a escravidão africana no Brasil, mas não foi assinada por acaso ou por bondade da Princesa, mas sim por uma pressão que partiu de vários núcleos da sociedade nacional e internacional.

Após a liberdade os, “ex-escravizados”, foram jogados a própria sorte, tendo de residir em condições precárias nos morros e periferias, os mais “afortunados” obtinham trabalhos considerados desprezíveis e com baixíssimos salários, apenas porque eram negros, criou-se assim uma nova cultura de exclusão no Brasil, o “Preconceito e o Racismo”.

Essa história ainda não acabou, pois em pleno século XXI, o mercado de trabalho e várias instituições da sociedade brasileira mantém “vivo o escravismo”, através da restrição de oportunidades, baixos salários, preconceito e racismo. As grandes mídias e a principal delas, a televisão, também contribui negativamente, pois, os serviçais domésticos das novelas, invariavelmente são negros e isso não é por acaso, mas uma forma de manutenção da estratificação social afrodescendente em nosso país.

Nos tempos atuais, algumas leis foram criadas, a fim de, minimizar ou de alguma forma, compensar esse triste período escravista, mas parte da sociedade insiste em não entender tudo isso e coloca-se contra esses benefícios, talvez lhes faltem consciência social e conhecimento histórico.

O Brasil tem uma dívida impagável de humanidade para com os povos africanos aqui escravizados, precisamos propor uma profunda reflexão, e, a partir disso, conscientizar nossos filhos sobre essa questão tão importante, para que eles, em um futuro próximo, venham a construir uma nova sociedade, livre de preconceito e racismo, só assim teremos motivos para, verdadeiramente, comemorarmos o “13 de maio”.

A herança que o escravismo brasileiro nos legou é um conjunto de desigualdades estruturais, sociais e culturais que moldam o país até os dias atuais.

Precisamos fazer essa reflexão!

* Luís Eduardo Souza Fraga – historiador e escritor (Contato: fragaluiseduardo@gmail.com)

 

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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