Sexta-feira, 14 de Agosto de 2020

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Capa – Caderno 1 A água do oceano na região das Bahamas “some” após a passagem do furacão Irma

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Muitos barcos ficaram encalhados na areia em Tampa, Flórida, quando o mar se retirou. (Foto: Bryan Woolston/Reuters)

Entre as consequências da passagem do fenômeno Irma – furacão que atingiu categoria 5 no fim de semana e foi rebaixado para tempestade tropical nesta segunda-feira (11), uma chamou muito a atenção de moradores e turistas nas Bahamas.

Segundo Angela Fritz, meteorologista do jornal The Washington Post, o Irma alterou o formato do oceano. Uma usuária do Twitter publicou um vídeo em sua conta e disse que não acreditava no que estava acontecendo. “Isso é Long Island, Bahamas, e a água do oceano sumiu!”

Flórida

Quando o furacão Irma ainda se aproximava da costa da Flórida, a ventania se intensificava, a chuva começava a cair quando, de repente, o mar começou a se retrair. Aos poucos, a água foi sendo sugada, recuando e se afastando das costas e praias. Deixou um rastro de algas, pedras, troncos, ouriços do mar e caramujos.

Barcos, que antes boiavam à beira mar, ficaram afundados na areia. Essas cenas foram vistas várias vezes à medida que o furacão avançava para os EUA – e imagens pipocaram durante todo o fim de semana nas redes sociais. As primeiras foram registradas nas Bahamas e, depois, nas costas de Key West, Naples, St. Petersburg, Sarasota e Tampa, cidades no Oeste da Flórida.

E por que o mar recuou se o um ciclone estava se aproximando? Não seria o caso de a maré subir, provocar ondas e inundar tudo? “Nem sempre isso acontece. Depende da força e da direção dos ventos do furacão”, explica Juan Carlos Cárdenas, meteorologista do Centro Mundial de Prognósticos do The Weather Company, empresa de previsão e tecnologia de clima e tempo. O fenômeno deixou muita gente surpresa e causou intensa discussão nas redes sociais.

“Foi muito estranho porque tinha muito vento, mas, ao invés de ter ondas, o mar foi embora. Foi algo estranhíssimo”, contou Sandra Padrón, moradora de Naples, à BBC Mundo, serviço em espanhol da BBC. Ela disse que teve medo. “O mar recuou muito. Pensei que era com anúncio de algo ruim.”

O que o vento leva

De acordo com o especialista, para compreender esse fenômeno é preciso entender a estrutura e o movimento de um furacão. Os ventos dos ciclones tropicais, quando se formam ao Norte do Equador, circulam no sentido anti-horário, isto é, da direita para a esquerda.

“Assim, quando Irma foi se aproximando da Flórida, o vento, que é muito forte, sopra do leste para o sudeste, de forma que arrasta, ‘puxa’ a água, da costa para dentro (do oceano)”, explica Cárdenas.

“O que tem que ser levado em consideração neste caso é que a forma e força com que o vento avança são tão poderosos que fazem a água se mover na mesma direção”, completa o especialista. Portanto, diz ele, como a costa oeste da Flórida está localizada na direção oposta ao vento, a água tende a recuar nessa região.

Cárdenas diz que o mesmo aconteceu nas Bahamas. “Algumas das ilhas do arquipélago são de sotavento (as que se encontram na direção na qual o vento se move) e, por isso, explica porque o mar também tenha recuado”, completa o especialista. Quando o Irma provocou esse fenômeno nas costas da Flórida já havia enfraquecido, chegando às categorias 3 e 4. Ele havia passado pelo Caribe na mais elevada potência, a categoria 5, sustentando ventos de cerca de 298 km/h. (AG)

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