Quinta-feira, 09 de Abril de 2020

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Brasil A Petrobras não precisa “dar dinheiro para um cara da OAB”, afirma Bolsonaro. O contrato com a empresa estatal foi cancelado

Embora a Polícia Federal prefira a indicação de Moro, o presidente insiste que tem o poder para a escolha dos cargos no órgão (Foto: Reprodução Marcos Corrêa/PR)

O presidente Jair Bolsonaro defendeu nesta quarta-feira (07) a revisão dos contratos de advocacia e publicidade da Petrobras e disse que não era nem para ter sido firmado um acordo com o escritório de advocacia do presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Felipe Santa Cruz.

A empresa estatal enviou uma carta ao advogado comunicando que está cancelando o contrato que mantinha com ele para atuar em causas trabalhistas. No ano passado, ele venceu uma causa estimada em R$ 5 bilhões que seriam pagos como horas extras atrasadas a funcionários embarcados nas plataformas de petróleo da companhia.

Em entrevista na entrada do Palácio da Alvorada, onde mora, o presidente da República afirmou que a Petrobras não precisa “dar dinheiro para um cara da OAB que recebe recursos bilionários e não é auditado por ninguém”. Bolsonaro não revelou se a rescisão do contrato foi feita a pedido dele.

“Eu havia falado já, nem era para ter esse contrato. Não é porque era ele, é porque a Petrobras não precisa disso: dar dinheiro para um cara da OAB que recebe recursos bilionários e não é auditado por ninguém”, declarou. O cancelamento do contrato ocorreu na semana seguinte ao presidente ter atacado o advogado, cujo pai desapareceu durante a ditadura militar (1964-1985).

Ao reclamar que a entidade tinha entrado com uma ação para impedir a quebra do sigilo telefônico do defensor de Adélio Bispo, que esfaqueou Bolsonaro na campanha eleitoral do ano passado, o presidente afirmou que, se Santa Cruz quisesse saber como o seu pai, Fernando Santa Cruz, desapareceu durante a ditadura, poderia contar. Depois, Bolsonaro afirmou que Fernando Santa Cruz foi morto por militantes de esquerda.

Fernando Santa Cruz desapareceu em 1974, após ter sido preso junto de um amigo chamado Eduardo Collier por agentes do DOI-Codi, órgão de repressão da ditadura, no Rio de Janeiro. No relatório da Comissão Nacional da Verdade, responsável por investigar casos de mortos e desaparecidos no regime militar, não há registro de que Fernando tenha participado da luta armada.

Nesta quarta-feira, Bolsonaro ressaltou que o contrato de advocacia não era necessário e que tudo será “visto e revisado”. Ele citou, por exemplo, um acordo de publicidade fechado pela estatal com a equipe britânica de Fórmula 1 McLaren de cerca de R$ 600 milhões em cinco anos.

“Posso falar para você, não tem que esconder nada não: é qualquer contrato com qualquer empresa que tem de ser visto e revisado. Esse contrato é antigo, de alguns anos, não precisa disso”, afirmou. “É muita coisa para ser revista”, acrescentou Bolsonaro.

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