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Geral A vacina da Pfizer é tão forte que pode evitar a transmissão do coronavírus

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O estudo analisou a resposta imunológica de 102 pessoas tratadas com a vacina da farmacêutica americana. (Foto: Reprodução)

Além de prevenir os casos mais graves de covid-19 com grande eficácia, a vacina da Pfizer pode induzir uma resposta imune forte o suficiente para não apenas evitar que os vacinados contraiam a doença, mas também pode impedir que as pessoas vacinadas transmitam o novo coronavírus para outros indivíduos. É o que revela uma pesquisa divulgada no começo desta semana.

O estudo, conduzido por pesquisadores do Sheba Medical Center de Israel, analisou a resposta imunológica de 102 pessoas tratadas com a vacina da farmacêutica americana. Deste total, 100 pacientes desenvolveram até 20 vezes mais anticorpos em uma semana após a segunda dose do que as pessoas recuperadas de casos graves de covid-19.

Em relação às duas pessoas que não apresentaram anticorpos, uma delas é imunocomprometida, ou seja, tem os mecanismos de defesa contra infecções enfraquecidos. Quanto à outra, a instituição ainda está investigando o motivo de ela não ter obtido a proteção.

Os pesquisadores acreditam que as quantidades mais elevadas de anticorpos impeçam o vírus de infectar as células e se replicar o suficiente para contaminar as pessoas vacinadas, prevenindo assim a transmissão dele.

Pesquisa pioneira

Até o momento, os cientistas apostavam apenas na prevenção dos quadros mais graves e na redução do número de mortes, pois não sabiam se as vacinas eram capazes de parar a transmissão do Sars-CoV-2. Nem mesmo a Pfizer ou as demais fabricantes divulgaram dados apresentando como seus imunizantes afetam a propagação da doença.

Conforme a diretora da unidade de epidemiologia do Sheba Medical Center Gili Regev-Yochay, líder do estudo, os resultados estão alinhados com a experiência da farmacêutica e são “ainda melhores do que o esperado”.

Apesar do otimismo da cientista, são necessários estudos adicionais para confirmar que as pessoas imunizadas com a vacina da Pfizer não espalharão o coronavírus, segundo o The Jerusalem Post. Os pesquisadores também querem saber quanto tempo dura essa imunidade.

Superanticorpos

Os “superanticorpos” desenvolvidos por um pequeno grupo de pessoas contaminadas pelo novo coronavírus, que possuem uma grande capacidade de neutralizar o Sars-CoV-2, podem ser a nova arma da ciência para frear de vez o avanço da pandemia, juntamente com a vacinação em massa iniciada recentemente, em diversos países.

Uma das pessoas que possuem esses anticorpos raros é o gerente de comunicações da George Mason University John Hollis. Em entrevista à NBC na última quinta (14), ele contou ter se infectado durante uma viagem à Europa com o filho, em março de 2020, antes do fechamento temporário dos aeroportos americanos.

Logo após retornar do continente europeu, Hollis apresentou uma leve congestão nasal, na época associada à sinusite, cujos sintomas desapareceram em pouco tempo. Mas ele acabou transmitindo (sem querer) a covid-19 para o colega de quarto, que teve uma reação completamente diferente, ficando mais de um mês isolado e em estado grave.

Sem saber que ficou doente e já estava imune, ele resolveu se oferecer para participar de um estudo conduzido pela universidade onde trabalha, localizada em Fairfax, no estado da Virgínia, e aí veio a grande surpresa. Os responsáveis pela pesquisa descobriram que ele apresentava superanticorpos contra o novo coronavírus.

Algumas semanas depois de ceder o material para os cientistas, John recebeu uma ligação do patologista e bioengenheiro Lance Liotta. O líder do estudo contou que ele não só já tinha contraído a doença como também trazia em seu sangue anticorpos raros, desenvolvidos em apenas 5% dos infectados pelo Sars-CoV-2.

Outra descoberta feita por Liotta e sua equipe é que os superanticorpos de Hollis ainda estavam em níveis elevados no material analisado, mesmo tendo se passado alguns meses da contaminação. Eles foram capazes de eliminar seis cepas diferentes do novo coronavírus nos testes em laboratório.

A pesquisa revelou que os poderosos anticorpos do gerente de comunicações mantiveram pelo menos 90% de sua força nove meses após ele ter pegado covid-19. O resultado indica uma forte imunidade presente no voluntário, protegendo-o contra a reinfecção em todo esse período.

Curiosamente, os anticorpos semelhantes encontrados em outras sete pessoas, nos testes realizados pela equipe de Liotta, mostraram uma força bem menor em comparação com os de Hollis, desaparecendo após um período entre 60 e 90 dias.

Desde agosto, Hollis tem doado amostras de saliva e sangue à universidade, a cada duas semanas. Os pesquisadores estão testando maneiras de usar os superanticorpos dele para neutralizar o Sars-CoV-2 de forma mais eficiente.

Uma das possibilidades é utilizá-los na produção de medicamentos que aumentem a proteção da população contra o novo coronavírus, desenvolvendo opções como o remédio Regeneron, coquetel de anticorpos ministrado ao ex-presidente dos EUA Donald Trump depois que ele testou positivo para a doença.

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