Segunda-feira, 06 de Julho de 2020

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Cláudio Humberto Bolsonaro tem 3 opções para o lugar de Mandetta

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Luiz Henrique Mandetta estava adorando tudo isso. Alçado a liderança política nacional, elogiado pela oposição, o ministro da Saúde se sentia à vontade até para ignorar as opiniões, mesmo toscas, do presidente da República. E não resistia, com sua palavra fácil e tom gentil, à tentação de fazer política em cada coletiva. Exagerou. O presidente chegou ao Planalto, nesta segunda (6), decidido a demitir Mandetta. Mas a turma do “deixa disso” agiu e o esperto ministro decidiu propor a flexibilização do isolamento nos locais com 50% da capacidade de saúde liberadas.

Estava se achando
Mandetta até ousou prestigiar o governador goiano Ronaldo Caiado, que na véspera havia rompido com seu chefe. Não tinha perigo de dar certo.

Três nomes no páreo
Bolsonaro tem três opções para o lugar de Mandeta: o ex-ministro da Cidadania e deputado Osmar Terra (MDB-RS) está na “pole position”.

Um amigo pessoal
Outra opção é seu amigo pessoal almirante Antonio Barra Torres, diretor da Anvisa e ex-vice-diretor do Hospital Naval Marcílio Dias, no Rio.

Médica com afinidade
A médica Nise Yamaguchi, terceiro nome, defende o isolamento vertical e, como Bolsonaro, é entusiasta da cloroquina, remédio contra malária.

Ibaneis cogita dar a Bolsonaro uma boa caneta
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, foi uma das pessoas mais decepcionadas com a hesitação do presidente Jair Bolsonaro ante a decisão de demitir o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Mais cedo, ontem, sua aposta era de que Bolsonaro, “fraco e covarde”, não demitiria o ministro: “Ele não usa caneta nada”. E ainda afirmou que cogitava presentear o presidente com uma finíssima caneta Mont Blanc.

Como gestor, é ruim
Mandetta dormiu ministro, se é que conseguiu pegar no sono, mas na avaliação do governador do DF sua atuação como gestor é muito ruim.

Até agora, nada
“Não tenho notícia de que ele tenha comprado um único respirador nos últimos 40 dias, nem apoiou os Estados na construção de mais UTIs”.

Ministro roda presa
Apesar de o Tesouro estar aberto para Saúde, o dinheiro não chega aos Estados no volume e com a presteza necessários, diz Ibaneis.

Nome forte
O almirante Antonio Barra Torres, diretor da Anvisa, é forte para ministro da Saúde. Eles se conheceram quando Torres foi vice-diretor do Hospital Naval Marcílio Dias, no Rio, que recebeu recursos de emendas do então deputado Bolsonaro. Como o amigo presidente, gosta de motos e tiros.

Briga é por cargos
Davi Alcolumbre ameaçou retaliar o governo caso ministro da Saúde, do seu partido, o DEM, fosse demitido. É de se imaginar a reação do presidente do Senado caso o Planalto se metesse em suas nomeações.

Demissão vai sair
Mandetta será mesmo demitido. Político experiente, o presidente da República sabe que vai apequenar sua autoridade, mantendo o atual ministro no cargo. E criando uma opção a ele na corrida presidencial.

Tirocínio político
O ministro Braga Netto (Casa Civil) foi uma das vozes mais ponderadas pela permanência do ministro da Saúde no cargo. Não por gostar de Mandetta, mas por ter clareza de que haveria aproveitamento político da fragilidade de um País assustado com o coronavírus, para se vitimizar.

Pequenos negócios
“Nosso foco principal é auxiliar os pequenos negócios, com até dez funcionários”, disse o ministro Rogério Marinho, sobre os R$ 6 bilhões em linhas de crédito emergencial para micro e pequenas empresas.

Ideologia vence o vírus…
Os servidores do Ministério da Saúde deveriam dar exemplo, em vez de parar de trabalhar e promover aglomeração para protestar contra uma demissão que não houve. Que horror. O “protesto” só resistiu até o fim do expediente. A maioria se mandou quando o relógio marcou 18h.

Velha malandragem
Quem é de Brasília sabe que protestos de servidores de ministérios são frequentes sobretudo para exigir a manutenção de privilégios. Mas só ocorrem na hora do expediente, é claro.

Sorrindo à toa
A separação forçada de parentes próximos, namorados, casais e até as festas de aniversário por videoconferências fizeram disparar as vendas de presentes e de flores online. O aumento nos pedidos chega a 100%.

Pensando bem…
… o maior prejudicado na “troca de farpas” entre Bolsonaro e Mandetta, acabou sendo João Doria, que sumiu do noticiário.

PODER SEM PUDOR

Tucanos são como irmãos
Fernando Henrique conhece bem José Serra. Por isso Itamar Franco, então presidente, chamou-o no Ministério das Relações Exteriores para opinar sobre a nomeação de Serra como ministro da Fazenda. “O sr. pretende renunciar?” perguntou FHC, o amigo leal. “Não estou entendendo, ministro”, respondeu Itamar, intrigado. “É que, ao nomear Serra, o sr. vai abdicar do poder. Conheço bem o Serra, ele é da turma do ‘eu sozinho’, tome muito cuidado…” Assim Serra acabou queimado, e FHC virou ministro da Fazenda.

Com André Brito e Tiago Vasconcelos

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