Quinta-feira, 28 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 27 de abril de 2021
Chernobyl, cujo acidente nuclear completou 35 anos na segunda-feira (26), agora, pode se tornar Patrimônio Mundial da Unesco. Pelo menos é o que o governo da Ucrânia tem em mente para a área da usina onde, à 1h23 de 26 de abril de 1986, o reator número 4 da central, a 130 quilômetros de Kiev, explodiu durante um teste de segurança.
Oficialmente, o acidente matou 31 pessoas, forçou a retirada de 1 milhão de habitantes da região, provocou centenas de casos de doenças e a destruição do meio ambiente local. Ainda assim, nos últimos anos, a área tem registrado recordes de turistas, principalmente após a estreia da série de TV Chernobyl, da HBO.
Atualmente, os resquícios das substâncias letais ainda pairam no ar, sendo que, na época, a radioatividade matou mais de 90 mil pessoas, se forem incluídas as mortes diretas ou indiretas do acidente.
Para marcar o 35º aniversário do desastre, o presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, visitou a zona de exclusão de 30 quilômetros ao redor da central nuclear.
“Acreditamos que colocar Chernobyl na lista de patrimônio da Unesco é um primeiro e importante passo para ter este lugar como um destino único de interesse para toda a humanidade”, disse o ministro da Cultura, Oleksandr Tkachenko.
Antes de enviar um pedido à Organização das Nações Unidas (ONU), os locais que buscam proteção da Unesco devem ser incluídos em uma lista nacional de patrimônio histórico e cultural, segundo o ministro.
O acidente ocorreu quando engenheiros planejavam testar se o reator poderia ser resfriado caso a usina ficasse sem energia. Mas um erro humano levou à sobrecarga do reator e provocou uma série de explosões. O núcleo do reator ficou exposto, lançando material radiativo na atmosfera.
URSS
O Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) revelou diversos documentos que comprovam que as autoridades da União Soviética (URSS) tentaram esconder o incidente na época.
O então líder da URSS Mikhail Gorbachev decidiu não citar a explosão da usina nuclear até o dia 14 de maio de 1986. O problema é que o episódio catastrófico aconteceu no dia 26 de abril daquele mesmo ano.
Ainda mais, os documentos revelados pela SBU mostraram que a usina de Chernobyl já registrava falhas em seu sistema entre os anos de 1982 e 1984. Ao contrário do esperado, contudo, as autoridades da URSS mantiveram tais danos em segredo.
Datado de 1983, inclusive, um relatório da KGB, o serviço de inteligência soviético, afirmou que as usinas de Chernobyl, Leningrado e Kursk eram “as mais perigosas em relação ao seu funcionamento, o que pode gerar consequências ameaçadoras”.
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