Quarta-feira, 03 de Junho de 2020

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Mundo Com escassez do gás de cozinha, venezuelanos derrubam árvores para obter lenha

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Devido à falta crônica de gás natural no país com as maiores reservas de petróleo do mundo, as árvores são cada vez mais usadas como combustível na cozinha. (Foto: Reprodução de internet)

Durante anos, Endy Pérez começava seus dias acendendo o fogão de sua pequena casa na cidade venezuelana de Maracay. Hoje em dia, sua rotina do café da manhã começa com a busca por lenha em um parque nacional nos fundos de sua casa.

Devido à falta crônica de gás natural no país com as maiores reservas de petróleo do mundo, as árvores são cada vez mais usadas como combustível na cozinha. “Não tenho outra opção, tenho dois filhos… tenho que cozinhar”, disse Endy, uma dona de casa de 39 anos, ao lado de um fogão a lenha improvisado instalado na varanda na extremidade do Parque Nacional Henri Pittier, de 108 mil hectares.

O uso crescente de lenha causa alarme em ativistas, que dizem que os debates sobre os problemas ambientais muitas vezes são ofuscados pela inflação em disparada, o colapso econômico e um impasse político prolongado. Incêndios e construções de casas devastaram cerca de 10% do Henri Pittier nos últimos 40 anos, disse Enrique García, diretor do grupo ecológico Sembramos Todos.

Além disso, explicou, o uso de lenha em áreas urbanas pode causar problemas respiratórios por causa da fumaça, da elevação das temperaturas nas cidades e do risco crescente de deslizamentos de terras em comunidades pobres em que as casa muitas vezes são erguidas em terreno instável.

Agora os fogões a lenha são uma visão comum em toda a Venezuela por causa da escassez de gás. Tanques usados para armazenar e transportar propano estão em mau estado por falta de manutenção. Em alguns casos, pessoas queimam lixo perto de uma árvore para secá-la para que possa ser cortada e usada para cozinhar. As autoridades estão praticamente ignorando a legislação que proíbe o corte de árvores sem permissão.

Não existem dados oficiais ou privados sobre o impacto ambiental do uso crescente de lenha. O Ministério da Informação não respondeu a um pedido de comentário. Algumas cidades têm uma cobertura de árvores tão pequena que as pessoas em busca de lenha têm que andar quilômetros.

Maria Aldana, aposentada de 61 anos, diz que caminha 5 quilômetros de sua casa de Maracaibo a uma área arborizada para conseguir lenha, já que o gás de cozinha não é entregue há três meses.

Pacaraima

O êxodo de venezuelanos em fuga do regime do ditador Nicolás Maduro fez de Pacaraima (RR), na fronteira do Brasil com a Venezuela, a cidade que mais cresceu no país, proporcionalmente, segundo a estimativa da população calculada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A cidade ganhou 1.821 habitantes do último ano para cá, segundo as contas do IBGE, o que representa um aumento de 11,7%. Desde 2017, quando a crise se acirrou do lado de lá da fronteira, o aumento foi de 41% – se mantiver esse ritmo de crescimento, em cinco anos a cidade terá o dobro de seu tamanho hoje.​

A segunda cidade que mais cresceu foi a capital do estado, Boa Vista, para onde boa parte dos venezuelanos recém-chegados foram, com aumento de 6,4% na sua população. A chegada dos imigrantes causou crise no estado, com casos e violência e protestos de brasileiros contrários à chegada dos venezuelanos.

A ONU (Organização das Nações Unidas) estima que 4 milhões de pessoas tenham deixado a Venezuela com a crise. Enquanto a média de aumento da população no país de 2018 para 2019 foi de 0,8% e na região Norte foi de 1,4%, em Roraima o índice ficou em 5,1%.

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