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Economia Conheça os fundos de renda fixa que voltam a ficar atraentes com a nova taxa básica de juros

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Mudança determinada pelo Copom para a Selic terá impacto na modalidade. (Foto: EBC)

Quem se lembra da época dos juros básicos a 14,25% ao ano? Há cinco anos, esse era o patamar da taxa Selic. De lá para cá, os juros foram reduzidos até alcançar o menor nível da história, de 2%, ainda em 2020.

No dia 17 de março, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu por unanimidade elevar a Selic para 2,75%, após quatro reuniões sem mudanças. Depois disso, o BC já sinalizou que pretende repetir a dose já na próxima reunião, que acontecerá no início do mês de maio – o que levaria a taxa para 3,5%.

A medida é uma forma de o governo tentar controlar o aumento da inflação. Em 2020 o IPCA (indicador oficial da inflação no País) fechou em 4,52%, a maior alta desde 2016. Com a mexida nos juros, o Banco Central busca reduzir os estímulos econômicos e, assim, conter o aumento dos preços.

Com a nova taxa básica de juros, a atenção dos investidores se volta para a perspectiva de retomada da renda fixa, a classe de ativos mais popular entre os poupadores. Segundo dados da Anbima, os fundos de renda fixa acumularam uma captação líquida de R$ 49,3 bilhões nos dois primeiros meses de 2021, enquanto os fundos de ações registraram saques de R$ 17,2 bilhões no mesmo período. O patrimônio líquido total dos fundos de renda fixa bateu os R$ 2,25 trilhões em fevereiro.

Segundo levantamento feito pela plataforma Economatica para o E-investidor, há 10 fundos de renda fixa que podem se beneficiar da Selic a 2,75%. Todos têm mais de 100 cotistas e não são exclusivos. Para efeitos de comparação, durante o mesmo período de análise o CDI rendeu 0,17% (confira a tabela nesta página).

De acordo com Rafael Paschoarelli, professor de finanças no Insper e fundador da plataforma Comdinheiro, a condição básica para os fundos de renda fixa serem considerados rentáveis é bater a inflação. Caso contrário, o investidor perde o seu poder de compra. “O título que protege o investidor da inflação tem mais volatilidade e isso não é proteção. Vamos supor que você terá 110% do CDI. Isso não resguarda você da inflação, mas sua volatilidade é baixa”, diz ele.

De maneira geral, os títulos que protegem o investidor da inflação apresentam altos e baixos maiores. Portanto, o investidor tem de saber qual é o seu objetivo e suas preferências na hora de fazer a escolha. Se o objetivo é proteção, Paschoarelli recomenda procurar títulos que prometem pagar o IPCA ou IGP-M mais um prêmio.

Segundo Mário Avelar, superintendente de produtos da Ágora Investimentos, toda vez que acontece uma nova movimentação nos juros há uma reprecificação dos contratos futuros de juros. “Para o investidor que está chegando agora na renda fixa, o cenário é muito bom, principalmente para os pósfixados. Tudo que tem exposição a esse tipo de título é um caminho natural para ele; é vantajoso ter neste momento”, diz o especialista. Com a alta da inflação, os títulos de renda fixa prefixados, como o Tesouro Selic, estão oferecendo rentabilidade negativa frente à inflação. “A expectativa para o índice gira em torno 4,5% e, hoje, os fundos que remuneram acima da Selic estão pagando menos de 3% bruto”, diz Henrique Castiglione, sócio da EWZ Capital.

“Ao mesmo tempo, a melhor alternativa para o investidor que está de olho no longo prazo, principalmente pensando na manutenção do capital, são os fundos de renda fixa que estão atrelados à inflação, porque neles você tem a expectativa de manutenção do seu poder de compra, principalmente agora, em um momento de alta”, diz Castiglione

Perspectivas 

Por conta da queda da taxa básica de juros ao longo do ano passado, muitos investidores migraram para a renda variável em busca de melhores retornos. Segundo dados da B3, o número de investidores na Bolsa de Valores brasileira saltou de 1 milhão, em maio de 2019, para quase 3,2 milhões em novembro de 2020.

“Com o aumento da Selic, os fundos de renda fixa voltarão a ser atrativos. Antes da última reunião do Copom, com a taxa em 2%, o investidor não via um retorno nominal robusto”, diz David Camacho, sócio-fundador e gestor da Devant. “Por mais que houvesse fundos pagando um bom risco de crédito, com CDI mais 2% a 4%, ao analisar o retorno nominal ainda não estava chamativo. O efeito veio com a migração de investidores para a Bolsa e fundos imobiliários.”

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