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Mundo Donald Trump intensifica tática de pôr em dúvida o sistema eleitoral americano mesmo antes das eleições de novembro

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Ex-presidente tem usado estratégia cerca de uma vez ao dia, em média, desde que anunciou sua candidatura. (Foto: Reprodução)

O ex-presidente Donald Trump semeou publicamente e sem fundamentos dúvidas sobre a imparcialidade da eleição de 2024 cerca de uma vez por dia, em média, desde que anunciou sua candidatura à presidência, de acordo com uma análise do The New York Times. Embora a tática seja conhecida — Trump também levantou o fantasma de uma eleição “fraudada” nas corridas eleitorais de 2016 e 2020 — suas tentativas de prejudicar a disputa de 2024 são uma escalada significativa.

A recusa de Trump em aceitar os resultados da eleição de 2020 teve consequências históricas. A chamada “Grande Mentira” — a falsa alegação de Trump de que a eleição foi roubada — levou à insurreição de 6 de janeiro de 2021 no Capitólio dos Estados Unidos e à duas das quatro acusações criminais contra Trump, bem como ao seu segundo impeachment.

Mas Trump tem plantado sementes de dúvida entre seus seguidores muito antes do dia da eleição, essencialmente estabelecendo um futuro sem perdas para si: ou ele venceria, ou a eleição seria fraudada. Ele nunca desistiu dessa visão, que não é sustentada por nenhuma evidência, mesmo bem depois do fim de sua presidência. E, ao tentar retornar à Casa Branca, a mesma alegação se tornou a espinha dorsal de sua campanha.

Aperfeiçoando a retórica

Muito antes de anunciar sua candidatura, Trump e seus eleitores vinham alegando falsamente que o presidente Joe Biden estava “armando” o Departamento de Justiça para atingi-lo. Mas demorou até março passado para que Trump chegasse a uma nova acusação: que os múltiplos desafios legais relacionados aos seus negócios e às suas atividades políticas constituíam uma “nova maneira de trapacear” para “interferir” na eleição de 2024. Ele já fez versões dessa acusação mais de 350 vezes.

“Esse é um acordo fraudulento, assim como a eleição de 2020 foi fraudulenta, e não podemos deixá-los escapar impunes”, disse Trump em 18 de novembro de 2022, três dias depois de anunciar sua candidatura para 2024.

Seus comentários foram uma resposta à indicação do procurador-geral Merrick B. Garland de um advogado especial para supervisionar as investigações criminais do Departamento de Justiça relacionadas aos eventos que levaram ao motim de 6 de janeiro e à decisão de Trump de manter documentos confidenciais em seu resort na Flórida.

No verão passado (hemisfério norte), Trump já havia aperfeiçoado a linguagem e a transformou em um elemento básico de seu discurso: “Eles fraudaram a eleição presidencial de 2020 e não vamos permitir que fraudem a eleição presidencial de 2024.” O Times documentou mais de 500 eventos de campanha, postagens em redes sociais e entrevistas durante o ciclo de 2024 em que Trump acusou falsamente os democratas ou outros de tentar “fraudar”, “trapacear”, “roubar” ou de alguma forma “influenciar” a próxima eleição — ou de ter feito isso em 2020.

Trump adaptou os detalhes de suas acusações em cada um dos três ciclos eleitorais. Mas em todos os casos, seu padrão de discurso seguiu os mesmos contornos. Ele semeia a dúvida sobre a legitimidade da eleição e, em seguida, começa a capitalizar essa dúvida aludindo a não necessariamente aceitar os resultados da eleição — a menos, é claro, que ele vença.

Essa estratégia retórica — cara, eu ganho; coroa, você trapaceou — é uma estratégia adorada por Trump que antecede até mesmo seu tempo como candidato à presidência. Ele chamou os Prêmios Emmy de “um jogo fraudulento” depois que seu programa de televisão “The Apprentice” não conseguiu vencer em 2004 e 2005. E antes de se tornar oficialmente o candidato presidencial republicano em 2016, ele começou a aventar a possibilidade de que a disputa das primárias fosse, como ele disse, “manipulada e controlada por chefes”.

Em maio daquele ano, Trump falou claramente sobre o motivo de ter engavetado o argumento.

“Vocês têm me ouvido dizer que é um sistema manipulado”, disse ele, acrescentando: “Mas agora não digo mais isso porque ganhei.”

No fim daquele verão (hemisfério norte), de olho nas eleições gerais de novembro, Trump testou uma nova linha, afirmando que “a mídia” estava “manipulando” a eleição em favor de Hillary Clinton, a candidata democrata. Suas afirmações se intensificaram em outubro, depois que veio à tona uma gravação em que ele falava em termos vulgares sobre mulheres.

“Aceitarei totalmente os resultados dessa grande e histórica eleição presidencial, se eu ganhar”, disse Trump em um comício em 2016, três semanas antes do dia da eleição.

E embora ele acabasse ganhando o Colégio Eleitoral e a Presidência, seu fracasso em garantir o voto popular o levou a formar uma Comissão Consultiva Presidencial sobre Integridade Eleitoral para “provar” que a culpa era de uma fraude eleitoral desenfreada.

Em dezembro de 2019, bem no início da campanha de reeleição de Trump, a Câmara dos Deputados dos EUA, liderada pelos democratas, aprovou o impeachment do republicano, argumentando que ele usou as ferramentas do governo para solicitar ajuda eleitoral da Ucrânia na forma de investigações para desacreditar Biden. Posteriormente, Trump disse que os democratas estavam usando a “farsa do impeachment” para “interferir” na eleição.

A pandemia de covid deu a ele um novo grito de guerra, centrado na integridade das eleições: as cédulas enviadas pelo correio eram “perigosas”, “repletas de fraudes” e estavam sendo usadas para “roubar” e “fraudar” a eleição, disse ele. Cerca de seis semanas antes do dia da eleição em 2020, Trump se recusou a se comprometer com uma transferência pacífica de poder.

Desta vez, foram seis meses antes do dia da eleição de 2024 — e depois de mais de um ano insistindo na linha de “interferência eleitoral” sobre as acusações criminais contra ele e alertando repetidamente que os democratas estão “trapaceando” — que Trump novamente colocou condições em sua aceitação dos resultados eleitorais.

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