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Mundo Funcionários do porto de Beirute são detidos por causa das explosões

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A explosão de terça-feira (04) devastou bairros inteiros, deixando mais de 300.000 pessoas desabrigadas e causando mais de 150 mortes e 6.000 feridos. (Foto: Reprodução de vídeo)

Ao menos 16 funcionários do porto de Beirute e autoridades alfandegárias foram detidos no âmbito da investigação sobre as explosões de terça-feira (4) de um depósito com toneladas de nitrato de amônio, informou nesta quinta-feira (6) um promotor militar.

São funcionários “do conselho de administração do porto de Beirute e da administração de alfândegas e encarregados de trabalhos de manutenção e (operários) que realizaram trabalhos no armazém” onde era guardado o nitrato de amônio, informou o promotor militar Fadi Akiki em um comunicado.

Na quarta-feira (5), responsáveis pela autoridade portuária desde 2014 já haviam sido colocados em prisão domiciliar. Moradores de Beirute acusam o governo de corrupção, negligência e má gestão, de acordo com a BBC.

Nesta quinta, o ministério da Saúde do Líbano atualizou o balanço de vítimas: mais de 137 pessoas morreram e mais de 5 mil ficaram feridas. Dezenas seguem desaparecidas, de acordo com o porta-voz Rida Moussaoui.

A tragédia de terça-feira (4), provocada segundo as autoridades por um incêndio em um depósito que armazenava uma grande quantidade de nitrato de amônio no porto da capital libanesa, deixou quase 300 mil desabrigados, segundo o governador de Beirute, Marwan Aboud.

O material com potencial explosivo estava armazenado há seis anos sem a segurança necessária.

Nesta quinta, as escavadeiras do exército abriam estradas para ter acesso ao porto destruído. O país está sob estado de emergência.

Nitrato de amônio

O nitrato de amônio se apresenta como um pó branco ou em grânulos solúveis em água e é seguro – desde que não aquecido. A partir de 210°C, decompõe-se e, se a temperatura aumentar para além de 290°C, a reação pode tornar-se explosiva.

Um incêndio, tubos superaquecidos, fiação defeituosa ou relâmpagos podem ser suficientes para desencadear tal reação em cadeia.

Apoio internacional

União Europeia, Rússia, Tunísia, Turquia, Irã e Catar estão enviando suprimentos de emergência. A França enviou para Beirute equipes especializada em buscas. O presidente francês, Emmanuel Macron, visitou nesta quinta o local da explosão.

O Líbano, que já enfrentava uma grave crise econômica, precisará de apoio internacional. A estimativa inicial do governo de que é que a tragédia causou danos de US$ 3 bilhões (R$ 15,9 bilhões) a US$ 5 bilhões (R$ 26,5 bilhões). O Banco Mundial se pronunciou e disse que está aberto aos parceiros do Líbano para mobilizar apoio financeiro para a reconstrução.

Visita de Macron

O presidente da França, Emmanuel Macron, chegou nesta quinta ao Líbano e caminhou através de multidões nas ruas devastadas de Beirute. Ele prometeu ajuda após a explosão que devastou parte da cidade e ouviu gritos de protesto contra a elite política local.

Na antiga colônia francesa, Macron fez o que nenhum líder político libanês havia feito desde a explosão no porto de Beirute, que dois dias antes matou mais de 150 pessoas e feriu outras 5 mil. E, cobrando reformas políticas por parte dos governantes, se permitiu ser indagado pelos moradores de um dos bairros mais atingidos da capital.

Dezenas de pessoas cantando “revolução” e pedindo ajuda faziam força contra o cinturão de seguranças, enquanto Macron caminhava pela área de Gemmayzeh, a mais atingida pela explosão, por cerca de 45 minutos.

“Se reformas não forem realizadas, o Líbano continuará a se afundar”, disse Macron, que fora recebido no aeroporto pelo presidente libanês, Michel Aoun, mas caminhou sozinho pela região. “O que também é necessário aqui é uma mudança política. Esta explosão deve ser o início de uma nova era.”

A raiva latente contra os líderes libaneses está em alta desde a explosão, que parece ter sido causada por negligência e é amplamente vista como a manifestação mais trágica até agora da corrupção e incompetência da classe dominante.

A França há tempos procura apoiar sua antiga colônia e enviou ajuda de emergência desde a explosão. Mas, ao mesmo tempo, se uniu a outros países ocidentais em pressionar por reformas para erradicar a corrupção, cortar os gastos públicos e reduzir as enormes dívidas do Líbano.

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