Terça-feira, 13 de Abril de 2021

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Brasil Infectados com a nova variante de coronavírus têm carga viral dez vezes maior

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Estudo da Fiocruz indica que um adulto infectado com a variante de Manaus (AM) do coronavírus tem uma carga viral –quantidade de vírus no corpo– 10 vezes maior em relação a uma infecção por outras variantes. Os pesquisadores recolheram amostras referentes à 1ª e à 2ª ondas de covid-19 no país. Foram mais de 250 códigos genéticos analisados.

Segundo o estudo, a carga viral mais acentuada da variante P.1 torna a mutação amazonense mais transmissível que as demais. Isso porque quanto mais vírus o indivíduo tiver nas vias aéreas mais ele o expelirá, seja por meio de tosses, espirros e até na fala.

Na capital do Estado, a Fiocruz desenvolveu um teste PCR (do cotonete) específico para a identificação da variante de Manaus. Como mostra a imagem, a incidência da mutação cresceu rapidamente de dezembro a janeiro, sendo responsável por mais da metade dos novos casos de covid no Amazonas.

O mesmo fenômeno não foi visto entre idosos. Os autores explicam que o sistema imunológico das pessoas a partir de 60 anos não é tão eficiente quanto o de adultos. Com isso, o combate do organismo é deficitário em basicamente qualquer variante da doença provocada pelo coronavírus. Além disso, a estratificação por faixa etária no estudo pode ter levado a um desvio estatístico.

“A comparação dos pacientes mostra claramente que infecção por P.1 gera maior carga viral em adultos. Em idosos a significância foi pequena ou nenhuma. Talvez porque nossa amostragem era menor nesse grupo ou porque esses indivíduos são igualmente vulneráveis a todas linhagens”, disse o epidemiologista da Fiocruz Tiago Gräf, no Twitter.

A pesquisa da Fiocruz ainda não foi revisada por pares –quando outros cientistas avaliam o material para o corroborar ou o rechaçar as conclusões do estudo.

Pfizer

Para as pessoas que já foram infectadas pela Covid-19, uma única dose da vacina da Pfizer é suficiente para fornecer proteção robusta contra o coronavírus, de acordo com dois novos estudos britânicos publicados na revista The Lancet.

Os estudos, os primeiros publicados em revista científica especificamente sobre o imunizante, acrescentaram fortes evidências à estratégia de aplicar apenas uma dose da vacina da Pfizer/BioNTech para pessoas que já têm anticorpos contra o vírus.

Um dos estudos, liderado por pesquisadores da Universidade de Londres (UCL), e da Agência de Saúde Pública britânica, se debruçou sobre os benefícios dessa estratégia. No artigo publicado na Lancet os pesquisadores explicaram que a dose única poderia acelerar a vacinação, e, com isso, evitar novas mutações perigosas. “Uma cobertura mais ampla sem comprometer a imunidade induzida pela vacina pode ajudar a reduzir o surgimento de variantes”, informa o estudo.

Nas últimas semanas, estudos sobre o tema foram disponibilizados on-line, ainda que não em revistas científcas, alimentando discussões sobre as estratégias para a vacinação de pessoas que já ficaram doentes com Covid-19. Uma dose da Pfizer também foi suficiente nesses estudos para amplificar os anticorpos adquiridos em uma infecção anterior.

Alguns pesquisadores nos Estados Unidos já estão inclusive tentando persuadir os Centros de Controle e Prevenção de Doenças a recomendar a administração de apenas uma dose para pessoas que se recuperaram da Covid-19.

Os estudos britânicos poderiam pressionar as autoridades de saúde locais a considerarem a mesma abordagem. Na França, a Alta Autoridade de Saúde (Haute Autorité de Santé) recomendou ao Ministério da Sa∑ude que pessoas que já foram infectadas pelo coronavírus recebam apenas uma dose de vacina. A medida, no entanto, ainda não foi adotada.

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