Quinta-feira, 03 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 3 de junho de 2024
Na reunião dessa segunda-feira (3) com o ministro Alexandre Padilha e os líderes do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues; no Senado, Jaques Wagner; e na Câmara, José Guimarães, e do secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um mea culpa e uma promessa.
Lembrando o fiasco que foi a derrubada dos vetos do governo em projetos aprovados antes pelo Legislativo, como o da “saidinha” dos presos e a manutenção do veto de Jair Bolsonaro em relação ao crime de “comunicação enganosa em massa” (fake news), Lula admitiu que faltou engajamento de sua parte.
Prometeu que, na próxima votação de um tema de interesse do governo, ele próprio vai chamar os ministros indicados pelos partidos aliados para uma reunião. E determinará que eles trabalhem em suas bancadas a pauta que será votada.
Será, aliás, uma espécie de hora da verdade: é quase um consenso que os ministros indicados pelo União Brasil, MDB e outros partidos não teriam votos em suas respectivas bancadas.
Esse foi o primeiro dos encontros semanais que ocorrerão às segundas-feiras para azeitar a articulação política do governo e tentar virar o jogo das seguidas derrotas que tem sofrido em votações no Congresso.
Lula quer retomar a rotina que tinha em seus dois primeiros mandatos e que, sabe-se lá porquê, abandonara neste seu terceiro governo.
Coordenação política
Na reestreia das reuniões de coordenação política do governo, promovida nessa segunda-feira no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reclamou de não ter sido acionado por seus articuladores políticos “com a devida gravidade” para tentar evitar a derrota sofrida no Congresso na semana passada. Os parlamentares derrubaram o veto do presidente à “saidinha” dos presos, inclusive com votos do PT, e expuseram o desarranjo na base governista.
De acordo com relatos feitos à Coluna do Estadão, do jornal O Estado de S. Paulo, Lula reconheceu a dificuldade de lidar com um Congresso conservador, mas afirmou a seus auxiliares que não deve ser poupado quando houver sinal de revés na Câmara ou no Senado. Para o petista, sua entrada em campo, inclusive recorrendo a ministros que são deputados licenciados, pode ser decisiva em uma votação. Daqui para frente, quer sentir de perto o pulso do Congresso e ser claramente demandado pelos auxiliares se uma crise escalar.
O presidente ainda confessou que é preciso deixar a articulação política mais bem azeitada, e aposta nessas reuniões semanais de coordenação, às segundas-feiras, para afinar o entrosamento do time.
Apesar da queixa de não ter sido corretamente avisado da temperatura no Congresso, o presidente — diferentemente dos seus mandatos anteriores — tem se mostrado, neste terceiro governo, avesso a mergulhar na articulação política. Até parlamentares do PT reclamam da falta de acesso a Lula, e cobram portas abertas no gabinete e no Palácio da Alvorada para suas demandas. As informações são dos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo.