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Brasil Medicamento para o câncer dá sinais de que pode ajudar os doentes com coronavírus

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O medicamento para câncer Calquence mostrou indícios de que pode ajudar pacientes hospitalizados com Covid-19. (Foto: Reprodução)

O medicamento para câncer Calquence (acalabrutinibe), do conglomerado farmacêutico AstraZeneca, mostrou indícios de que pode ajudar pacientes hospitalizados com Covid-19 a superar manifestações graves da doença, num momento em que pesquisadores tentam adaptar os tratamentos existentes para combater a infecção.

A AstraZeneca é a empresa que prevê administrar mais de 2 bilhões de doses da potencial vacina desenvolvida em conjunto com a Universidade de Oxford, do Reino Unido, contra o novo coronvírus. A vacina vai ser testada também no Brasil, onde o procedimento já foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em São Paulo, os estudos serão liderados pelo Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (Crie) da Unifesp, que recrutará os primeiros mil voluntários. A infraestrutura médica e de equipamentos será financiada pela Fundação Lemann. Outras mil pessoas farão parte do teste no Rio de Janeiro, onde o estudo ficará a cargo do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino e da Rede D’Or, que vai cobrir os custos da primeira fase da pesquisa.

Os resultados da pesquisa preliminar com o Calquence envolvendo 19 pacientes, que ganharam respaldo dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, incentivaram o fabricante britânico a explorar o novo uso do medicamento em um estudo clínico maior anunciado em abril. Onze pacientes haviam recebido oxigênio quando começaram a usar o medicamento por 10 a 14 dias, e oito deles puderam receber alta em sequência, respirando de forma independente, de acordo com os resultados de um estudo com coautoria do diretor de pesquisa de câncer da AstraZeneca, José Baselga.

Oito pacientes estavam em ventilação mecânica quando receberam o medicamento, e quatro deles tiveram alta, embora um tenha morrido de embolia pulmonar.

“Esses pacientes estavam em uma situação muito instável, tinham um prognóstico terrível… Em poucos dias a maioria desses pacientes melhorou em termos de ventilação e necessidades de oxigênio”, disse Baselga à Reuters.

Acredita-se que casos graves de Covid-19 sejam desencadeados por uma reação exagerada do sistema imunológico conhecida como tempestade de citocinas, e pesquisas preliminares colocaram em cena o Calquence e outras drogas supressoras de certos elementos do sistema imunológico.

Entre os medicamentos para doenças autoimunes que estão sendo testados quanto à sua capacidade de mitigar tempestades de citocinas estão Kevzara (Regeneron e Sanofi), Actemra (Roche) e otilimab (Morphosys e GlaxoSmithKline). Em seu uso já aprovado, o Calquence concorre com o Imbruvica (AbbVie e Johnson & Johnson), como tratamento para leucemia linfocítica crônica, um tipo comum de leucemia adulta.

Rússia registra novo medicamento

O Ministério da Saúde da Rússia informou neste sábado (6) que registrou um segundo medicamento para o tratamento da covid-19 criado pela empresa de biotecnologia BIOCAD.

O nome remédio, chamado Levilimab, que será comercializado sob o nome ILSIRA, é um inibidor da glicoproteína interleucina-6 e permite que ela contenha a resposta imune do corpo e evite a tempestade de citocinas causada pelo novo coronavírus em casos graves.

“Recomenda-se tratar pacientes gravemente doentes, quando a chamada tempestade de citocinas se desenvolve, a inflamação exagerada devido ao coronavírus que danifica tecidos e órgãos, principalmente o pulmão”, diz o comunicado da Health.

O novo medicamento, desenvolvido inicialmente para o tratamento da artrite reumática, foi registrado em um processo rápido, procedimento contemplado pelo governo para situações de emergência.

“Acho que conseguiremos controlar as complicações causadas pela covid-19 e minimizar as graves consequências”, escreveu o CEO do BIOCAD, Dmitri Morozov, no Facebook.

Em 31 de maio, o Ministério da Saúde da Rússia registrou o primeiro medicamento antiviral para o tratamento da covid-19, o Afivavir, que foi altamente eficaz durante os ensaios clínicos.

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