Segunda-feira, 01 de Junho de 2020

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Brasil O ex-assessor do ex-ministro Geddel Vieira Lima prometeu apresentar provas de parte dos crimes que confessou

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Mãe, mulher, irmãos e cunhadas do ex-ministro ocuparam postos de assessores da Mesa Diretora ou secretários parlamentares. (Foto: Reprodução)

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu ao ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), a liberdade provisória de Job Ribeiro Brandão. Ele é ex-assessor do deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) e de seu irmão, o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA). Ela alegou que Job vem adotando postura de quem quer contribuir com as investigações e que se comprometeu a apresentar provas de parte dos crimes que confessou. Para fazer isso, precisa ter liberdade de ir e vir.

Atualmente Job está em prisão domiciliar sob monitoramento eletrônico. As digitais dele foram encontradas nos 51 milhões de reais guardados no “bunker” de Geddel em Salvador, no Estado da Bahia.

“Desde que Vossa Excelência [Fachin] determinou a prisão de Job Ribeiro Brandão, ele tem assumido comportamentos de quem efetivamente se dispõe a contribuir com as investigações, a não cometer crimes e nem praticar atos que coloquem em risco a ordem pública ou que frustrem a aplicação da lei penal”, escreveu Dodge.

“Em favor de Job, ele não apenas confessou sua participação nos fatos como foi além: revelou supostos contextos criminosos, conexos aos investigados no Inquérito n° 4633, até então desconhecidos pelos investigadores. Ouvido pelo MPF e pela Polícia Federal em 14/11/2017, ele teceu detalhes de uma suposta associação criminosa criada para ocultar valores milionários decorrentes de corrupção, organização criminosa e de peculato”, acrescentou a procuradora-geral.

Depois, concluiu: “Finalmente, Job Ribeiro Brandão comprometeu-se a apresentar provas de parte desses crimes que narrou, o que pressupõe sua liberdade de locomoção para diligenciar por elas”.

Os argumentos da procuradora-geral da República vão além daqueles apresentados por Job. A defesa pediu a liberdade alegando que ele tem bons antecedentes e residência fixa em Salvador e que não coloca em risco a ordem pública. Argumentou ainda que sua prisão não é mais conveniente à continuidade da investigação e já efetuou depósito a título de fiança. Além disso, cuida dos pais idosos e doentes.

Raquel Dodge também destacou que Job já foi exonerado do cargo de assessor parlamentar de Lúcio Vieira Lima, “fato que desafiará sua retomada imediata ao mercado de trabalho para dar sustento a si e aos pais idosos e enfermos, cuja dependência já provada nesta investigação”.

Negativa

Apesar das suas digitais no dinheiro, Job disse não ter conhecimento da existência do edifício onde fica o apartamento onde foram achados os 51 milhões de reais, nem quem levou os valores para lá. Ele afirmou, ainda, que desde os 21 anos trabalha para a família Vieira Lima (hoje ele tem 49).

O trabalho começou com Afrísio, pai de Geddel. Depois, passou a assessorar o próprio Geddel e, por fim, Lúcio. Segundo o termo de depoimento, “em suas atividades como assessor o declarante costuma atuar na residência dos políticos, em Salvador, não tendo atuado nos gabinetes em Brasília”.

Na semana passada, o ministro Fachin reduziu o valor da fiança de Job de 100 para 50 salários-mínimos. Ele chegou a dizer não ter condições financeiras para arcar com esse valor e pediu que não fosse obrigado a desembolsar nenhum centavo, ou, ao menos, que a quantia fosse estipulada em 3,3 salários mínimos.

 

 

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