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Saúde Pacientes com sintomas prolongados de coronavírus apontam melhora após tomarem vacina

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De 10% a 30% das pessoas que contraem covid-19 apresentam sintomas de longo prazo. (Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre)

Jessamyn Smyth espera que duas injeções no braço possam ser o que finalmente a livrará de um ano em que os efeitos duradouros de covid-19 causaram o caos em sua vida.

Ela diz que depois de contrair uma infecção aguda por coronavírus em março de 2020 continuou tendo uma série de problemas de saúde. Durante meses, sofreu de falta de ar, batimento cardíaco irregular e acelerado, diarreia e erupções cutâneas incomuns.

Como muitos long haulers ou portadores de longo curso, que sofrem os impactos da doença por um período extenso, Smyth sente uma “exaustão que nocauteia”. “Desmaio por 15 horas”, explicou em um e-mail para a CNN.

Escritora e professora em Holyoke, Massachusetts, nos Estados Unidos, ela tinha dificuldade até mesmo para se lembrar de palavras básicas que usava todos os dias, como “pontuação”. Sua vida como estudiosa e ávida nadadora havia desmoronado.

“No final, perdi dois empregos, o fim da vida cognitiva de minha mãe e sua transição para o tratamento da demência, um parceiro e uma casa, além de toda segurança financeira. Eu temi perder também minha vida e identidade como nadadora de resistência e atleta,” ela disse. Mas, enfim, recebeu a vacina.

Recuperação instantânea

Dentro de algumas semanas, sua fadiga e seus problemas cognitivos estavam “visivelmente melhores”, disse ela. Suas erupções desapareceram. E depois de sua segunda dose da vacina da Pfizer/BioNTech, em 24 de fevereiro, seus sintomas continuaram melhorando.

Histórias como a de Smyth estão ganhando força nas redes sociais, oferecendo uma possibilidade tentadora quando clínicas especializadas parecem não ter as respostas sobre como tratá-las.

Uma parte dos long haulers pode estar encontrando alívio pela vacina. Se assim for, pode ser uma virada de jogo para o número crescente de pessoas que enfrentam problemas de saúde de longo prazo e até mesmo deficiências: de 10% a 30% das pessoas que contraem covid-19 apresentam sintomas de longo prazo, de acordo com o National Institutes of Health, dos Estados Unidos.

No entanto, os especialistas ainda não estão certos sobre o porquê dessa melhora e nem quanto tempo pode durar esse quadro de redução ou fim dos sintomas.

No caso de Smyth, sua frequência cardíaca em repouso, que ela costumava registrar em 150 batimentos por minuto após a covid-19, voltou à pulsação forte e lenta de um atleta de resistência, em torno de 50 a 60. (A maioria dos adultos saudáveis tem frequência cardíaca em repouso entre 60 e 100, com aqueles na extremidade inferior tendo maior proteção contra-ataques cardíacos, de acordo com a Harvard Medical School).

“Minha pele estava diferente. Meu cérebro estava diferente. Comecei a me sentir como eu mesma pela primeira vez em um ano”, disse ela.

Judy Dodd é outra portadora de longo curso da covid-19, doente há um ano, que está melhorando repentinamente após a vacinação com a Pfizer. Ela diz que voltou a 90% do seu potencial físico em comparação a como se sentia antes de ficar doente.

“Depois da minha segunda vacina, no dia seguinte eu tive febre alta e segui por alguns dias de fadiga e fortes dores de cabeça”, disse ela à CNN. “E então eu acordei, era uma manhã de domingo, o quarto dia. E era como aqueles comerciais de café que você levanta e o sol está nascendo. Eu me senti ótima. Foi uma mudança de atitude. Acordei pronta para agir. Agora eu tenho energia. A falta de ar sumiu. As dores de cabeça sumiram. E principalmente a fadiga sumiu.”

Estudos insuficientes

Até agora, grandes estudos sobre recuperação e vacinas estão em falta.

Uma pesquisa observacional recente feito no Reino Unido está disponível em pré-impressão porque não foi submetida à revisão dos pares. Ele comparou como os pacientes hospitalizados com covid-19 se saíram após a vacinação em relação aos pacientes com covid-19 anteriormente hospitalizados que não receberam suas vacinas. Cerca de 23% dos vacinados relataram resolução dos sintomas, enquanto 15% dos participantes não vacinados também disseram que se sentiam melhor.

Esse estudo teve uma amostra pequena, de apenas 44 pacientes, e embora seja estatisticamente significativa, a parcela que melhorou não foi muito grande.

“A questão até agora é episódica”, disse Anthony Fauci, médico e diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, durante uma audiência do Comitê de Energia e Comércio, em 17 de março. “Muitas pessoas melhoram de qualquer maneira, e se você se vacinar e melhorar, não é certeza de que a vacina causou uma recuperação espontânea. É preciso fazer um ensaio randomizado para determinar isso.”

Ainda assim, relatos episódicos como esses podem começar a se acumular, especialmente para médicos que tratam de portadores de longo curso há meses.

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