Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 2 de novembro de 2023
A Polícia Civil do Rio de Janeiro abriu um inquérito para apurar a conduta de estudantes do Colégio Santo Agostinho, na Barra da Tijuca, que teriam criado montagens com nudes de alunas e compartilhado as imagens em aplicativos de mensagens.
A suspeita é que os estudantes envolvidos, do 7º ao 9º anos da instituição, tenham utilizado inteligência artificial para “remover” as roupas das colegas, a partir de fotos publicadas por elas nas redes sociais. Ao menos 20 jovens teriam sido expostas.
O caso veio à tona depois de familiares das estudantes procurarem a polícia. Em nota, a Polícia Civil confirmou a abertura da investigação, a ser conduzida pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente.
“Todos os envolvidos estão sendo chamados para serem ouvidos na especializada. Diligências seguem para identificar a autoria do crime e esclarecer o caso”, informou a corporação.
Os envolvidos podem responder por fato análogo a simulação e participação de criança ou adolescente em cena de sexo explícito ou pornográfica por meio de adulteração, montagem ou modificação de fotografia, vídeo ou qualquer outra forma de representação visual.
O colégio encaminhou uma circular aos pais e responsáveis na qual classifica o episódio como um “fato lamentável”.
“O Colégio Santo Agostinho soube de episódios que muito nos assustam e decepcionam, envolvendo nossos alunos em imagens montadas com inteligência artificial. Lamentamos constatar que esta ferramenta criada para solucionar problemas e apoiar a vida moderna ainda não tem seu fim utilizado de maneira adequada”, diz um trecho do comunicado.
A instituição também assegurou a adoção de medidas disciplinares, com base no regimento escolar.
A mãe de uma das alunas que teve nudes falsos criados através de inteligência artificial afirmou que um dos alunos que seria responsável pela divulgação das imagens disse que não seria punido “porque é branco e rico”.
“As fotos começaram a ser divulgadas na última sexta-feira. No entanto, não fizeram nada quando souberam. O sentimento é de impunidade. A minha filha descobriu a dela no início da semana. As meninas estão tendo crise de ansiedade e chorando. Elas estão em semana de provas e não conseguem focar nos estudos. Esses alunos continuam na mesma sala delas e elas estão tendo que conviver. Eles tiram sarro da situação. Eu soube que um deles afirmou que não seria punido ‘porque é branco e rico’, então não aconteceria nada. Eles sabem que é errado, são instruídos, mas parecem não temer”, conta a mãe.
Segundo ela, as vítimas e os responsáveis estão preocupados com o uso dessas imagens em plataformas de conteúdo adulto. Para a mãe, a situação é irreparável e os alunos responsáveis pelo crime deveriam ser expulsos do colégio.
“Na internet nós acabamos perdendo o controle das coisas. Não sei onde essa foto da minha filha foi parar. Ela terá que guardar para sempre o registro de ocorrência. Hoje em dia eles conseguem fazer até vídeos. No futuro, alguém do trabalho dela pode receber alguma gravação ou foto e achar que realmente é ela. Como ela ficará? Ela precisa de provas que mostrem que ela não está vendendo conteúdo adulto ou algo do tipo. Estamos correndo atrás de justiça porque não queremos que as nossas filhas aprendam a ficar caladas nessas situações. Ela, como mulher, precisa e merece ter voz. Essas violações dos corpos femininos não podem ser normalizadas”, ressalta a mãe. As informações são da revista Carta Capital e do jornal O Globo.
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