Segunda-feira, 14 de Junho de 2021

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Brasil Presidente do Tribunal Superior Eleitorial classifica voto impresso como “inútil”

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Barroso é contrário à ideia defendida pelo presidente Bolsonaro, que articula na Câmara uma PEC para a retomada do voto de papel. (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Ao lançar uma campanha comemorativa dos 25 anos da urna eletrônica no Brasil, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, destacou na sexta-feira (14) a inviabilidade do voto impresso, um dos desejos do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Além de caro e fazer parte de um sistema em desuso no país, Barroso afirmou que reinventar o voto de papel seria um “risco”.

“O voto impresso será inútil para quem queira fazer um discurso de fraude. Nos Estados Unidos, que é o espelho, havia voto impresso, e boa parte das pessoas que defende o voto impresso no Brasil afirma que a votação nos Estados Unidos foi fraudada. Portanto, vai ser um custo, um risco e uma inutilidade, porque eles vão continuar achando a mesma coisa”, afirma Barroso.

Ele afirma que voto eletrônico veio justamente para encerrar um período de votos fraudulentos no Brasil durante décadas: As urnas eletrônicas serviram para terminar com um passado de fraudes eleitorais que marcavam o processo democrático brasileiro desde a República Velha, machada pelos votos de cabresto e pela eleição chamada de bico de pena. Quando as urnas não correspondiam aos resultados que os listamentos dominantes desejavam, eles eram adulterados no momento do lançamento no mapa”.

Nesta semana, a Câmara dos Deputados instalou comissão especial para analisar uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do voto impresso no Brasil. A proposta é da deputada Bia Kicis (PSL-DF), uma das principais aliadas de Jair Bolsonaro no Congresso.

Recentemente, Bolsonaro disse em sua transmissão ao vivo semanal que, se não tivesse voto impresso, não haveria eleição no Brasil. Já Barroso enumerou uma série de fatores que condenam a volta do voto impresso no Brasil.

“Antes da alta do dólar, falávamos em R$ 2 bilhões do custo do voto impresso. O Congresso é um bom lugar para discutir se o país deve fazer esse tipo de investimento. Além disso, quando o STF declarou a inconstitucionalidade, ele revelou a existência de um perigo, que era a quebra do sigilo do voto. Recentemente, o próprio painel secreto do Senado foi violado. Vimos também que é um retrocesso que piora o sistema. Houve filas, atrasos e aumento de votos brancos e nulos. Não foi boa experiência. E também há um risco de judicialização das eleições. Queremos que as urnas falem e não o poder judiciário”, afirmou.

Com informações do jornal Estado de Minas.

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