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Geral Saiba o que é a Síndrome de Borderline?

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O transtorno de personalidade Borderline tem prevalência de 2% a 3% na população em geral. (Foto: Reprodução)

Muito tem se falado sobre a Síndrome de Borderline ou Transtorno de Personalidade Limítrofe, transtorno que a participante da edição do programa A Fazenda 12, Raissa Barbosa, convive.

A peoa teve um ataque de raiva, socou a cama, abafou gritos no travesseiro, se trancou no banheiro e jogou água em outro participante em um de seus episódios da síndrome.

Raissa descobriu o diagnóstico em outubro de 2019 e iniciou psicoterapia para o tratamento, mas a interrompeu durante a pandemia da covid-19. Ela também toma medicamentos prescritos em momentos que não consegue controlar sua crise. Mas, afinal, o que é a síndrome e quais seus principais sintomas?

Segundo Elaine Di Sarno, psicóloga com especialização em Avaliação Psicológica e Neuropsicológica e em Terapia Cognitivo Comportamental pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (FMUSP), o transtorno de personalidade Borderline tem prevalência de 2% a 3% na população em geral, 10% nas clínicas ambulatoriais de saúde mental e 20% entre pacientes psiquiátricos internados. A maior parte (74%) dos pacientes com TPB é do sexo feminino e 70 a 75% dos clientes têm uma história de comportamento de autoagressão.

A síndrome de borderline é um transtorno psiquiátrico que fica dentro da caracterização de transtornos da personalidade. “Em geral, esses transtornos têm em comum sintomas muito enraizados na pessoa, como se fossem características da personalidade dela. Nesses quadros, é muito difícil diferenciar o que são características da pessoa e o que são sintomas; por isso, é difícil de fazer o diagnóstico. É o contrário do que acontece, por exemplo, em quadros de pânico ou depressão, que têm sintomas muito mais definidos”, explica a psicóloga Daniela Fartes, formada pela PUC-Rio e especialista em terapia cognitiva e mudança de comportamentos prejudiciais.

Principais sintomas

– Indivíduos com o transtorno têm crises marcadas por variações de humor bruscas, por mudanças radicais entre idealização e desvalorização nos relacionamentos íntimos e padrões de relacionamento interpessoal caótico, como também instabilidade e fragmentação da percepção de si.

– Há também uma desregulação emocional e interpessoal. “Os pacientes com frequência mostram insegurança frente a suas metas e valores. Também apresentam pouca confiança em si mesmo”, explica Elaine.

– Sentimentos de raiva e ira também são muito comuns, dirigidos a uma variedade de pessoas e/ou objetos, assim como depressão e ansiedade. Esses dois últimos sentimentos estão mais relacionados a sentimentos de profunda solidão e rejeição. “Há uma vivência predominante de sentir-se fútil, só, isolado e rejeitado pelas pessoas de seu convívio”, explica.

Outra característica marcante para este quadro é a de impulsividade, manifestada de duas formas: “há pacientes deliberadamente autodestrutivos, que apresentam comportamento suicida, podendo apresentar automutilação, ameaças e tentativas de suicídio; outros manifestam formas mais gerais de impulsividade, caracterizadas, pelo abuso de drogas, desordens alimentares, participação em orgias, explosões verbais e direção imprudente”, finaliza.

Segundo Daniela, pessoas com borderline estão em constante estado de exaltação. “Ou estão muito irritadas ou sofrendo muito, ou muito afastadas de tudo e com uma sensação de vazio muito intensa”, explica.

Há também um constante medo do abandono e do isolamento: esse medo é um dos aspectos mais presentes, mesmo nos estágios iniciais. Os medos podem correr para tais extremos que, em algumas situações acabam optando pelo isolamento voluntariamente para evitar que outros o façam, sendo assim, preferem se afastar das relações antes de serem abandonados.

Possíveis causas

Segundo Elaine, há uma predisposição genética para o transtorno, mas para que ele se desenvolva é necessário que haja um ambiente invalidador de experiências de vida, que começa na infância.

“O abuso físico, sexual ou psicológico também pode ser a condição inicial. A falta de reforço positivo para as respostas ainda na infância e o reforço negativo decorrente do controle exercido pelos pais podem levar a uma experiência dessa pessoa dependente de estímulos externos, deixando-a extremamente sensível ao humor e desejos dos outros. Outra condição é a ausência dos pais na infância”, conta.

Em geral, os pacientes bordelines vêm de famílias que invalidavam seus relatos a respeito de suas próprias experiências, desde a infância. “Assim, ao relatar as suas experiências, especialmente as negativas, esses pacientes foram ridicularizados e/ou ignorados. Na fase adulta os indivíduos borderline são conhecidos por sua ambivalência. Afirmações do tipo “eu me sinto vazio” e “eu não sou eu mesmo” são típicas”, finaliza a psicóloga.

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