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Educação Saúde mental de crianças é desafio no pós-pandemia

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Escola municipal em Rio das Ostras faz dinâmica para os alunos falarem sobre as alegrias e tristezas. (Foto: Divulgação)

O Brasil ter sido um dos últimos países a retomar as aulas presenciais levou não apenas a uma defasagem do ensino, como comprometeu a saúde mental de milhões de crianças e jovens do país. Um dos pontos defendidos pela escritora e psicanalista Elisama Santos como fundamental no “pós-pandemia” é que as escolas priorizem a escuta atenta e rodas de conversa em vez de focar apenas em cumprir a grade curricular atrasada.

Esse será um dos temas do Festival LED – Luz na Educação. O evento gratuito acontece nos dias 8 e 9 de julho, no Museu de Arte do Rio de Janeiro e no Museu do Amanhã.

A psicanalista é uma das palestrantes da mesa “Saúde mental: é sobre isso e não tá tudo bem”. O espaço, aberto a professores, instituições de educação e alunos, pretende desromantizar a ideia de que os problemas do longo período de quarentena tenham que ser resolvidos apenas em consultórios de psicologia. Uma pesquisa deste ano da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo e do Instituto Ayrton Senna mostrou que dois em cada três estudantes do 5º e 9º ano do ensino fundamental e do 3º do ensino médio da rede estadual paulista têm sintomas de depressão e ansiedade.

Um em cada três estudantes afirmou ter dificuldades para se concentrar nas atividades escolares. Além disso, 18,8% relataram sentirem-se esgotados e sob pressão, enquanto 18,1% disseram perder totalmente o sono devido a preocupações. Segundo Elisama, a escola tem papel fundamental no estímulo à autoconfiança e à ressocialização após um isolamento de dois anos.

“A escola não é apenas onde aprendemos trigonometria. É o lugar onde os alunos aprendem a nomear sentimentos, a criar laços, a trabalhar em equipe. Todas essas dinâmicas sutis são tão essenciais quanto um vestibular para preparar jovens com autonomia e inteligência emocional para o mercado. É preciso entender que a escola se tornou um refúgio dos problemas criados pela pandemia nos lares”, observa.

Elisama, que tem livros sobre educação não violenta, vai abordar o conceito durante a palestra:

“A comunicação não violenta pede um tratamento de igual para igual entre professor e aluno. A hierarquia inibe a escuta afetiva e efetiva. É preciso falar sobre regras, mas também sobre os sentimentos que, muitas vezes, são reprimidos pelos adultos.”

Reintegração escolar

A professora de língua portuguesa Marcela Ferreira, de 40 anos, acompanha de perto os dilemas de alunos do ensino médio, na escola privada onde leciona, e também de crianças e jovens do 5º ao 9º ano, como diretora-adjunta de um colégio municipal de Rio das Ostras, no Rio de Janeiro.

Ela conta que a desmotivação provocada pelas aulas online, que eram precariamente acompanhadas pelos estudantes, tem reverberado na volta presencial. De acordo com a professora, grande parte dos alunos voltou com fobia social, ansiedade e dependência de afeto. Uma de suas alunas, do 8º ano, recebe apoio pedagógico em casa porque desenvolveu síndrome do pânico.

“Embora as escolas, sobretudo as públicas, tenham previsto as demandas da volta presencial, falta mão de obra para atender os alunos. Em cada sala, são 35 alunos, com demandas e traumas diferentes. Muitos voltaram depressivos, dependentes dos pais, agressivos. E soma-se a isso o fato de muitos professores ainda estarem com a cabeça de 2019”, relata a professora, destacando inclusive o aumento de falas de jovens sobre suicídio.

A professora aponta que as diferenças nas necessidades de cada faixa etária dos alunos são profundas. Enquanto meninos e meninas de 9 a 14 anos se tornaram mais dependentes da família, os adolescentes costumam passar para os pais a percepção de que têm autonomia para lidar com as emoções.

Para contornar os efeitos nocivos à saúde mental, Marcela articulou, na escola em que integra a direção, uma dinâmica com professores de escuta qualificada e de momentos de descontração junto aos alunos. Uma delas chama-se “Pausa para te ouvir”, em que alunos do 6º ao 9º ano se reúnem e escrevem anonimamente em cartas alegrias e tristezas que são sorteadas e debatidas entre colegas e docentes. Os professores se reúnem para trocar experiências e depois as questões identificadas são levadas aos pais em conversas em grupo ou particulares.

“Os alunos adoram porque veem que todos têm as mesmas angústias”, diz Marcela Ferreira. As informações são do jornal O Globo.

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