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Moda Semana de Moda de Nova York enfatiza a importância da moda com propósito

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Collina Strada coleção Primavera 2022 apresentada na NYFW. (Foto: Reprodução/Internet)

Foi aberta a temporada de desfiles presenciais, após uma lacuna de dois anos por causa da pandemia do novo coronavírus. A Semana de Moda de Nova York, realizada de 8 a 12 de setembro, abriu o que os fashionistas chamam de “mês da moda”, apresentações e desfiles que começaram na cidade americana e passam agora por Londres, Milão e terminam na Cidade Luz, Paris. Semanas de moda internacionais são como uma bússola fashion que aponta para o que será tendência em todo mundo na próxima temporada e Nova York mostrou que estamos voltando, aos poucos, mesmo tendo que considerar baixas importantes, como a marca americana símbolo de status e sofisticação, Ralph Lauren, o “enfant terrible” da moda americana, Marc Jacobs, o clássico pop Tommy Hilfiger e o ícone dos tapetes vermelhos, Oscar de La Renta.

Apesar desse cenário, a semana conseguiu reviver algum glamour que faz parte do DNA desse período, além de trazer novidades nascidas da intensa transformação que o mercado sofreu durante a pandemia. A semana de moda chega com a presença de mais estilistas negros, marcas sustentáveis e desfiles que incluem modelos com corpos diversos, assim como normalizam a presença de pessoas com deficiência em suas apresentações. Já em um tom mais amargo, mesmo com as notícias de que protocolos sanitários seriam respeitados, a exigência de passaportes de vacinação e uso de máscara, o que se viu foi grande parte do público descumprindo regras. Dito isso, vamos às tendências que surgem renovadas e cheias de novas possibilidades para um público ávido pelo frescor de uma nova temporada de primavera-verão 2022.

Mostrar mais pele está em alta. Recortes, decotes, fendas, assimetrias e comprimentos supercurtos deixam isso claro. No próximo verão, o corpo estará exposto, tanto para mulheres quanto para homens. Uma intenção de liberdade que cai como uma luva após o longo tempo de clausura finalmente parece ter chegado.

Além das decisões estéticas trazidas pelos diretores criativos para a passarela, outra tendência chama atenção: a moda com propósito. Um designer em 2021 deve ter uma causa, uma narrativa que envolva seu público, algo que vai além do produto em si e de uma compra por impulso. As estampas, processos, tecidos e escolhas dessa nova moda são além do que é bonito e devem representar uma compreensão e atitude concreta sobre o momento que vivemos.

Quem faz isso com maestria é a uruguaia Gabriela Hearst, que está à frente da casa de moda francesa Chloé, mas simultaneamente segue no comando de sua marca homônima que desfilou em Nova York. Sua moda cria laços e pontes entre diferentes culturas, países e povos. Gabriela nasceu na América do Sul, mas é uma apaixonada pelo mundo. Com suas roupas conta histórias, renova tradições e traz para a pauta o luxo feito de forma sustentável. A marca é o perfeito exemplo da união entre moda e propósito desde sua primeira coleção, lançada em 2015. Os tricôs que são icônicos de Gabriela foram feitos pelas mãos de mulheres de uma cooperativa rural do Uruguai, além disso o uso de materiais reciclados na criação das peças se tornou um hábito. Sua meta para 2022 é eliminar completamente o uso de matérias-primas virgens em suas coleções. A estilista demonstra uma dedicação intensa para que suas histórias tenham lastro.

O verão de Gabriela Hearst também traz a mensagem clara de que o conforto continua em alta. Tricôs e algodão deixam o corpo à vontade, mas são desenhados de forma a evocar sensualidade – as cores trazem alegria e uma energia vibrante. O mesmo acontece na passarela de Proenza Schouler, de Jack McCollough e Lazaro Hernandez, uma dupla que se conheceu na faculdade de moda e que conquistou o público em 2002, tornando-se hit imediato com sua primeira coleção, resultado de um trabalho de conclusão de curso.

Quase 20 anos depois, McCollough e Hernandez mostram que ainda sabem contar histórias e criar uma moda extremamente desejável para a mulher contemporânea. Na passarela, as cores, recortes e modelagens nascem do desejo de explorar o mundo e falam de uma viagem para a ilha de Maui, um santuário para os estilistas. As franjas provocam movimento e fazem com que as roupas ganhem vida e deixam evidente o tom de celebração da coleção.

O olhar geral pela semana de moda americana traz a sensação de que estamos com pressa para recuperar um tempo perdido e andar por nossas cidades e pelo mundo. Se depender de Nova York, as botas, principalmente nos modelos chelsea ou de combate, também estarão em alta, acompanhadas por rasteiras gladiadoras, chinelos e tênis provando que o conforto vai continuar abraçando nossos pés quando deixarmos nossas casas em plena liberdade do pós-pandemia.

Os pés estão mais próximos do chão e são acompanhados por saias e vestidos curtos para a primavera, o uniforme de uma geração que está fincada na realidade, mas pensando nos caminhos para a transformação. Temos cores e todos os tipos de estampas, florais grandes e pequenas, tie dye e xadrez, tudo junto e misturado. Tudo é válido, contanto que imprima personalidade e disposição.

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