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Ali Klemt Sobre hienas e portas que se abrem por dentro

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Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Vou confessar uma coisa aqui para vocês (como eu confesso coisas aqui pra vocês, né?): se tem um tipo de pessoa que me tira do sério, é a vitimista. Deve ser um trauma surgido ao assistir algum episódio de Lippy & Hardy. O sofrenildo Hardy é uma hiena pessimista que acompanha o leão Lippy. Diante de qualquer desafio, Hardy, com seu semblante frustrado e ombros caídos, repete, com o olhar perdido, “Oh céus, oh vida, oh azar”. Ui.

Nunca gostei de hienas (elas sempre são vilãs fracassadas nas animações, notaram?). Alguma coisa nelas é falsa, mesquinha e carrega a sombra do fracasso. Pobrezinhas, Hollywood sempre foi preconceituosa com elas, talvez. Junte-se a essa imagem a tristeza de ser um pessimista contumaz, como é o caso do Hardy. Eu simplesmente não consigo superar.

Mas essa coluna não é sobre a minha questão pessoal com hienas ou o preconceito com solidado no mundo das artes visuais a esses animais. Não. A coluna é sobre a minha dificuldade em lidar com pessoas que fazem das questões da vida um fardo desnecessário. Abrindo meu coração aqui:

Todos nós temos problemas. Todos. Alguns são mais graves e de resolução mais complexa. Mas todo ser humano nesse mundo lida com dramas pessoais, desde a luta para quitar boletas ou evitar a bancarrota, até a dor do coração partido ou, os piores deles, saúde prejudicada ou a perda de um ente amado. A diferença é como cada um lida com os obstáculos que surgem pelo caminho.

Sou uma otimista por natureza, mas já me frustrei muitas e muitas e muitas vezes. Diversas tentativas de acerto acabaram em erros. Muitas relações, simplesmente, não funcionaram. Perdi dinheiro em apostas erradas. Portanto, sim, poderia me lamentar por cada um desses tropeços. Mas foram eles que me fizeram mais forte, mais esperta, mais experiente. Foi cada um desses empecilhos que me trouxeram até aqui. Como posso reclamar?

Certamente, por trás da personalidade de vítima há várias camadas que poderiam ser resolvidas por profissionais, tanto do ponto de vista químico quanto psicológico/emocional. Alô, psiquiatras e psicólogos de plantão, me deem um help aqui!

Mas, acima de tudo, há que se ter a coragem de sair da zona de conforto e reconhecer, se a vida não está dando certo para você, não é culpa do universo injusto que escolheu você para ser sua vítima número 1! Não. O universo só responde à energia que você mesmo cria em seu entorno.

Talvez seja por isso que a minha vontade, ao encontrar um vitimista, seja “dar com um gato morto na cabeça” para ver se ele desperta. Sacudi-lo gritando “autorresponsabilidade é chave! Autorresponsabilidade é chave!”. Mas me controlo, porque parecerá um tanto histérico e talvez resolvam me tirar da bancada do Atualidades Pampa, e isso não vai ser legal. Então, organizo minhas emoções e me afasto. Não discuto, não tento convencer do contrário. Sendo beeeeeem clichê, a mudança é uma porta que se abre por dentro, e cabe a cada um de nós dar esse passo importante rumo a si mesmo.

 

Ali Klemt

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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Denise Goulart de Munhós
12 de março de 2023 19:36

Ótimo texto!!! Também não suporto vitimistas e creio que cada um é responsável por suas escolhas, suas decisões, pela vida que leva. O destino é construído, não imposto!

Joel Robinson
12 de março de 2023 21:45

Herança maldita do assistencilismo, do coitadismo, que moldou uma parcela de “quros queros” no qual a toda a midia tem culpa no cartorio. Ou não?

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