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Mundo Trabalho no exterior: Suíça oferece qualidade de vida, segurança e altos salários, mas tudo no país é caro

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Cristiane e Stephan vão se mudar para Portugal por causa do custo de vida mais baixo. (Foto: Arquivo pessoal)

Foi de uma forma inusitada que a pedagoga Cristiane Grab, 47, decidiu sair do Brasil, em 2006. Ela abriu um mapa, fechou os olhos e apontou o destino ao acaso. “Quando botei o dedo no Atlas, deu Alemanha, mas como está colado com a Suíça, acabei vindo para cá. Foi uma escolha aleatória”, conta aos risos. Hoje, quase 20 anos depois, ela faz parte do contingente de 64 mil brasileiros que residem no país europeu, segundo dados do Ministério das Relações Exteriores.

Com uma população de aproximadamente 8,5 milhões de habitantes, a nação da Europa central famosa pelo seus Alpes torna-se atraente para estrangeiros por diferentes razões. Qualidade de vida, poder de compra, sensação de segurança e bem-estar social são alguns dos motivos apontados por brasileiros ouvidos pela reportagem.
Outro atrativo é a remuneração. Embora a nação não tenha um salário mínimo nacional por lei (cada cidade estabelece um piso), o valor médio é superior a outros países.

Desde janeiro deste ano, por exemplo, o salário em Genebra (segunda maior cidade da Suíça) é de 24,32 francos suíços por hora (ou R$ 135,12). Supondo que uma pessoa faça uma jornada de 40 horas semanais, a remuneração mensal ficaria em torno de 4.864 francos, o equivalente a R$ 27.023,46.

Por outro lado, o custo de vida é altíssimo. Não à toa, Zurique lidera como a cidade mais cara do mundo para se viver. A vizinha Genebra assume o terceiro lugar do pódio. Os dados são do índice global da The Economist Intelligence Unit, que levou em consideração algumas variáveis como os altos impostos e os gastos com alimentação.

Duas décadas

Cristiane Grab desembarcou em Zurique para ser uma Au Pair (babá). Inicialmente, pensava em ficar apenas alguns meses e depois migrar para os Estados Unidos. Mas algo não programado aconteceu: duas semanas após a chegada ao país europeu, ela conheceu o atual marido, o suíço Stephan Grab, 55.

Entre o trabalho como babá e o estudo da língua local, surgiram novas oportunidades. Aprendeo idioma, casou, fez faxinas, atuou em festas de ruas como garçonete, depois montou um buffet de comida brasileira – o negócio não deu certo – e decidiu testar uma empresa de produtos de limpeza, que funcionou por alguns anos.

Mesmo com as inúmeras experiências, foi somente há cinco anos que conseguiu trabalhar na área em que se formou no Brasil com foco em educação para crianças com necessidades especiais. “Fui a primeira brasileira a ingressar na escola”, conta em referência à entrada na instituição privada localizada em Zurique.

Atualmente, Cristiane trabalha de terça a sexta em um regime de 7 horas por dia. “A equipe é superflexível”, diz. Neste ano, a pedagoga se prepara para tirar a licença premium de um mês (oferecida a cada cinco anos). No Brasil, o benefício só é comum para funcionários públicos.

Férias

Em relação ao período de descanso, a brasileira tem direito a 12 semanas de férias por ano, que costumam ser no verão. Seu salário é por hora trabalhada, e ela não revelou o valor. “O que é ruim na Suíça? Ficar velho. Porque aqui só funciona quando você trabalha. Dá para viver, mas não é o mesmo padrão de vida, e queremos fugir do frio”, lamenta Cristiane.

A pedagoga e o marido planejam se mudar para Portugal daqui a dois anos. Um dos motivos para a transição é o receio de não conseguir manter o mesmo estilo de vida. Para se aposentar no país, existem três modalidades em vigência: previdência social (apoio do governo para subsistência), fundos de pensão e previdência privada.

Um dos maiores custos é o seguro de saúde. Os sogros de Cristiane vivem em uma casa de repouso que custa 27 mil francos por mês (em torno de R$ 150 mil). Apesar da futura mudança, Cristiane sente que tem uma dupla nacionalidade.

Um pessoa que reside em São Paulo com uma renda mensal de aproximadamente R$ 14 mil teria que receber em torno de 7.711 francos suíços (ou R$ 42.840,85 mil) para morar em Zurique com o mesmo padrão de vida, segundo cálculo do site Numbeo, especializado em custo de vida.

O aluguel em Zurique chega a ser 289% maior se comparado ao valor na capital paulista. Em contrapartida, o poder de compra da cidade suíça chega a ser 454,9% maior do que em São Paulo.

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