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Ali Klemt Viajar é preciso

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Viajar transforma. E você não precisa ir para o outro lado do mundo. (Foto: Reprodução)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Difícil traduzir em palavras o que é, puramente, energia, mas vamos lá. Vou contar uma história que mudou a minha vida. Envolve um senhor que nunca mais vi e, certamente, sequer sonha do impacto que ele causou nessa minha humilde existência.

Por alguma razão, em algum momento da minha vida, decidi ir a Machu Picchu. Na verdade, não foi sem razão: apesar de ter uma vida “perfeita” (filho lindo e saudável, casamento feliz e emprego bem remunerado), alguma coisa em mim estava vazia. Eu não tinha propósito. Daí a explicação desse “chamado” espiritual – isso e a minha vontade sem fim de conhecer o mundo, claro.

Cuzco, por si só, já é uma cidade mágica. Mística, carrega a cultura inca em cada pedra, em cada esquina. Lá é o ponto de partida para a “cidade perdida”, para onde se vai a pé (não encarei a trilha) ou de trem, que foi a minha pedida. Nesse trajeto, sentei-me em frente a um senhor idoso, acima do peso e que caminhava com a ajuda de uma muleta. Americano, contou-me sobre a sua vida, sobre como ele e a esposa economizaram para que, ao se aposentarem, pudessem viajar o mundo. Porém, ali estava ele, sozinho.

Ela morrera um ano antes da sua aposentadoria. E todos os sonhos em comum morreram com a sua partida.

Então, ele decidiu realizá-los, em nome desse amor. E, assim, partiria para os locais de mais difícil acesso enquanto ainda estava bem fisicamente – ao que não pude deixar de sorrir por dentro, porque ele, definitivamente, não estava, assim, em sua melhor condição física… Mas lá estava ele, como muitas outras pessoas no sítio arqueológico que também não pareceriam estar em sua mais plena capacidade. Pessoas debilitadas. Famílias que carregavam um ente querido em cadeira de rodas. E sabe por quê? Porque a fé em realizar sonhos não tem limite. Porque ninguém segura alguém cheio de vontade. Porque há algo de inexplicável chamado “energia” que impulsiona aqueles que tem a coragem de abrir a sua alma ao que não é visível, mas que nos toca de forma irremediável…

Essa viagem transformou algo em mim. E eu, simplesmente, não sei explicar. O fato é que abri meu coração para algumas experiências – e abrir o coração faz toda a diferença ao passar por um local: você pode vir, mas não estar. E estar é o segredo.

Você pode viver essas transformações sem viajar, é claro. Mas a vida nos “atropela”, diariamente, com tantas demandas, que acabamos não estando atentos para esses momentos. Daí porque viajar não é apenas fazer turismo. Você se permite um escape da própria realidade, uma fuga rápida não só para outro lugar, mas, principalmente, para dentro de si mesmo. Um mergulho na certeza de que somos apenas pequenos grãozinhos nesse mundão, porém parte integrante e essencial dessa cadeia de fatos e conexões que nos faz… humanos.

Viajar transforma. E você não precisa ir para o outro lado do mundo (embora desbravar outras culturas seja incrível): basta você ter a mente aberta e o coração quentinho para o NOVO. Novas experiências, novas pessoas, novas histórias… você JAMAIS retorna igual. Viajar te transforma. Te torna mais forte (sempre tem perrengue). Te torna maior. E o verdadeiro viajante sabe que esse é o mais importante destino.

Ali Klemt

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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Juventino Adamatti
20 de março de 2023 00:58

Verdade Aline, tô entrando nos 80 e ainda de vez em quando viajo. Viajar é divino!!!

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