Terça-feira, 10 de Dezembro de 2019

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Ciência Faz 47 anos que nenhum ser humano pisa na lua

Segundo um administrador da Nasa, isto deve-se a riscos políticos, pelos quais ele subentende a falta de financiamento. (Foto: Nasa/Divulgação)

A data: 14 de dezembro de 1972. O homem: Eugene Cernan. Pouco mais de três anos depois do “salto gigantesco” de Neil Armstrong na Apollo 11, a Humanidade dava seus últimos passos na Lua, com a Apollo 17 encerrando o mais ambicioso programa de exploração humana no espaço da História.

Mas enquanto Cernan embarcava no módulo lunar “Challenger” com o colega Harrison Schmitt – geólogo e único astronauta com formação científica a ir à Lua – para dar início à viagem de volta à Terra, poucos imaginavam que mais de cinco décadas se passariam sem que um ser humano pisasse lá, com retorno esperado agora, na melhor das hipóteses, para 2024.

Originalmente previsto para ter mais três missões – Apollos 18, 19 e 20 –, o programa teve seu fim precoce decretado por um sperie de razões: altos custos, desinteresse do público, falta de benefícios imediatos e mudança de foco na estratégia espacial, especialmente a americana, entre outros, explica Paula Vedoveli, professora da Escola de Relações Internacionais da FGV (Fundação Getúlio Vargas).

“Depois da Apollo 11, a corrida espacial entra em um novo momento, com uma queda do apoio da população especialmente nos Estados Unidos”, contou. “Engajados numa longa e dispendiosa guerra no Vietnã, os EUA passaram a enfrentar problemas econômicos com a alta da inflação e a queda na produção de petróleo, o que levou a uma mudança da opinião pública com relação aos investimentos na corrida espacial. Para a população americana, principalmente os jovens, tanto a guerra quanto a corrida espacial significavam gastos que sacrificavam sua prosperidade e acesso a bens em prol de escolhas do governo”.

Além disso, destacou Paula, passada a euforia com o pioneirismo da Apollo 11, ficou difícil justificar estes gastos seja do ponto de vista do desenvolvimento científico-tecnológico seja como propaganda político-ideológica. “Era cada vez mais difícil cativar o público, que não via benefícios imediatos no programa, e transformar as missões seguintes em uma forma de propaganda, viés que se perdeu após a primeira missão ter sido completada com sucesso”, disse.

Também pesou neste caso a questão estratégica. Desde seu início, a corrida espacial foi uma faceta visível da corrida armamentista entre EUA e a então União Soviética, mas entre o fim dos anos 1960 e começo dos 1970 esta disputa ganhou novas “regras”. Em 1967, por exemplo, ambos países assinaram o Tratado do Espaço Sideral, no qual se comprometiam a não usar o espaço como plataforma de lançamento de armas de destruição em massa nem alvo de seus ataques, garantindo seu uso “pacífico”.

Já em 1969 ocorria a primeira rodada das Conversações sobre Limites para Armas Estratégicas (Salt, na sigla em inglês), que levaram à assinatura de tratados “congelando” e depois reduzindo o número de mísseis nucleares que EUA e URSS poderiam ter em seus arsenais, cujo desenvolvimento era o “motor” por trás da fabricação de foguetes cada vez mais poderosos e confiáveis para a exploração espacial humana.

Assim, EUA e soviéticos voltaram seus programas espaciais para seus objetivos iniciais: o espaço como posto estratégico para monitorar e espionar o outro lado e facilitar e assegurar a comunicação com e entre suas tropas por meio de satélites artificiais; e a ocupação humana da baixa órbita da Terra com estações que serviriam como laboratório para experimentos científicos e desenvolvimento tecnológico.

A força da primeira motivação fica clara nos números. Entre 1957, com o lançamento do Sputnik 1 pelos soviéticos, e 1989, com a queda do Muro de Berlim e o “fim” da Guerra Fria, ambos países lançaram mais de 3 mil satélites, dos quais 60% tinham função total ou parcialmente militar e cerca de um terço era classificado como “espião”.

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