Terça-feira, 14 de Julho de 2020

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Esporte Abuso sexual no futebol feminino, um problema para a FIFA resolver

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A maneira como a FIFA tem lidado com o caso tem sido criticada. (Foto: Reprodução)

Um ano depois de o principal dirigente do futebol afegão ser afastado por acusações de abuso sexual contra jogadoras, o mundo do futebol está diante de um novo caso e de questionamentos sobre seu comprometimento em proteger atletas vulneráveis. Jogadoras de futebol feminino no Haiti, algumas delas com passagem pela seleção do país, e seus familiares acusaram dirigentes de forçarem as mulheres a fazer sexo.

Entre os acusados está o presidente da Federação Haitiana de Futebol, Yves Jean-Bart, de 73 anos, que, esta semana, foi suspenso pelo comitê de ética da Fifa (entidade máxima do futebol) por 90 dias. As autoridades haitianas estão investigando o caso, que veio a público em abril, em um artigo publicado pelo jornal britânico “The Guardian”. As atletas haitianas afirmam que foram ameaçadas e que lhes disseram para voltar atrás nas acusações. Yves Jean-Bart, conhecido como Dadou, é um figura proeminente no futebol caribenho, e comandou a federação haitiana por duas décadas.

As acusações são um golpe na FIFA, que, depois do caso no Afeganistão, prometeu medidas para proteger as jogadoras. Os abusos cometidos no Haiti aconteceram no centro de treinamento de Croix-des-Bouquets, perto da capital Porto Príncipe, apontado pela FIFA como um exemplo de comprometimento com regiões pobres. em 2017, o presidente do órgão máximo do futebol mundial, Gianni Infantino, viajou ao Haiti, levando consigo um cheque de 500 mil dólares para a reforma do centro, que tinha sido danificado por um furacão.

As mulheres, muitas delas menores de idade, e suas famílias dizem que as jogadoras no centro de treinamento haitiano foram, durante anos, coagidas a ter relações sexuais com Jean-Bart e com outros homens com cargos importantes na federação. Elas foram avisadas que, casos não concordassem, poderiam ser expulsas do programa nacional de futebol.

Jean-Bart nega as acusações e acusa seus opositores de quererem vê-lo fora da federação:

“Isso é o Haiti, é o que acontece aqui. É tudo falso”.

Derrotado por Jean-Bart na disputada pela presidência da federação haitiana, Ernso Laurence diz que foi ameaçado de morte depois de ter sido apontado como o verdadeiro responsável pelas acusações:

“Eu fui o único opositor a ele, então as pessoas acham que ele se refere a mim quando menciona seus opositores. No Haiti, esse tipo de ameaça é grave, e acredito que eu e a minha família estamos em perigo.”

Fora das disputas masculinas, as mulheres que acusam os dirigentes haitianos por abuso sexual preferem se manter no anonimato com medo de represálias, afirma Patrice Florvilus, advogado e membro de uma organização não-governamental que promove os direitos humanos no Haiti.

“Elas estão com medo”, diz Florvilus, que conversou com uma das acusadoras e com as autoridades haitianas.”Escrevemos para a FIFA pedindo que a organização crie as condições necessárias para que as vítimas deem seus testemunhos em segurança”.

Um ex-jogadora do time feminino, que afirma ter recebido propostas e ter sido tocada de maneira sugestiva quando tinha 16 anos, diz que recebeu ameaças por telefone e sabe que outras mulheres também foram ameaçadas depois que foram publicadas as primeiras matérias acusando Jean-Bart. Ela teme por sua segurança e a de sua família.

A maneira como a FIFA tem lidado com o caso tem sido criticada.

Logo depois de receber as acusações, um funcionário da FIFA, sem experiência em casos de abuso sexual ou compliance, mencionou o caso em uma ligação de rotina como a Federação de Futebol Haitiana, o que é inapropriado. Na época, os detalhes da acusação ainda não eram conhecidos.

A organização Human Rights Watch, que verifica os fatos de maneira independente, questionou a atitude do funcionário: “Como uma jogadora, que é testemunha ou sobrevivente de abuso, vai confiar na FIFA se a entidade liga para o funcionário da federação que responde diretamente ao abusador?”, pergunta Minky Worden, diretora de Inciativas Globais da HRW.

A FIFA diz que está revendo seus protocolos “para ter certeza que está melhor equipada para responder aos casos de abuso sexual e qualquer forma de violência no futebol”.

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