Terça-feira, 01 de Dezembro de 2020

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Bem-Estar Ansiedade: o que é o transtorno, sintomas e como controlar uma crise

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Segundo a OMS, o Brasil é o país mais ansioso do mundo. (Foto: Reprodução)

Sentir-se nervoso diante de uma situação importante, como uma entrevista de emprego, um primeiro encontro amoroso, uma apresentação importante ou prova de vestibular ou concurso público é uma reação normal. Essa ansiedade é uma característica evolutiva que prepara o corpo para reagir a situações de estresse, medo, angústia, dúvida ou expectativa. No entanto, nem sempre a sensação é benéfica e, quando acontece com intensidade e sofrimento acima do normal, deve-se ficar alerta.

Os últimos dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o assunto, de junho de 2019, informam que o Brasil é o país com maior número de pessoas que sofrem com transtornos de ansiedade no mundo. Já uma pesquisa do Instituto Ipsos de junho de 2020 indica que o País é o que mais sofre de ansiedade por conta da pandemia do novo coronavírus numa lista de 16 nações.

Por isso é importante saber distinguir a ansiedade normal da ansiedade exagerada, aparentemente sem motivo e prejudicial à saúde. Veja abaixo as principais informações sobre esse transtorno e o que fazer se estiver nessa situação.

O que é e quais são as características de uma crise de ansiedade?

É importante fazer a distinção entre uma crise de ansiedade e um transtorno de ansiedade. O Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) é caracterizado por uma ansiedade geral e persistente que “não ocorre exclusivamente nem mesmo de modo preferencial em uma situação determinada”, de acordo com a definição da OMS. No caso de outros transtornos, a intensidade ou frequência do nervosismo varia. A Síndrome do Pânico, por exemplo, apresenta ataques recorrentes e imprevisíveis de ansiedade grave, enquanto outro transtorno, como a fobia social, se caracteriza por aumento de nervosismo em situações específicas, neste caso o contato com outras pessoas.

A professora da área de saúde mental da PUC-SP, Elisa Zaneratto Rosa, doutora em Psicologia Social, afirma que o que se costuma denominar como transtorno de ansiedade “se refere a situações que sujeitos vivenciam e apontam geralmente para um sofrimento provocado por incertezas em relação ao futuro ou a uma sensação de falta de controle.” “Acho que nunca deveríamos tratar um sofrimento como uma doença, mas a situação se torna preocupante e deve ser observada quando fica tão intensa que não se pode nem identificar o que a gerou, quando não se refere a uma situação específica”, completa ela.

“Quando falamos em crise de ansiedade, nos referimos aos momentos mais críticos e com um aumento das características sintomáticas, em que há um maior prejuízo cognitivo, por exemplo, impedindo a pessoa de se adequar à situação em que está”, define o psiquiatra e presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (APB) e da Associação Psiquiátrica da América Latina (APAL), Antônio Geraldo da Silva. Segundo ele, quando a pessoa passa por uma crise, ela “apresenta uma série de sintomas que a impede de pensar e agir claramente, devido ao pico de descargas químicas recebidas pelo cérebro.”

Silva explica que o principal hormônio ligado à ansiedade é o cortisol, que é responsável por manter o cérebro em alerta e o corpo pronto para agir rápido caso seja necessário. Na maioria das crises ansiosas acontece um mau funcionamento dos neurotransmissores que regulam a atividade do cortisol no cérebro. Isso faz com que o nível de nervosismo seja proporcionalmente muito maior em relação ao fato gerador da crise.

“Pacientes com transtornos ansiosos podem ter um mau funcionamento dessa regulação, causando um impacto negativo na interpretação das situações do dia a dia que as faz ver mais perigo do que o real em ocasiões simples. É como se, ao olhar um gato, o paciente enxergasse um leão e, aí, disparasse os alertas do organismo”, exemplifica ele.

O médico ainda explica que a gravidade do quadro ansioso depende da intensidade dos sintomas. Quanto mais acentuados os sintomas, maior a necessidade de atenção.

O que pode levar a uma crise de ansiedade?

Há várias situações que podem levar a uma crise ou um transtorno, que são conhecidas como “gatilhos”. No entanto, Silva afirma que isso varia muito de pessoa para pessoa. “Não podemos generalizar estes gatilhos, porque o que serve para mim, pode não servir de gatilho para o outro. Em casos como o Transtorno de Estresse Pós-traumático, por exemplo, há a necessidade de um trauma para o desenvolvimento do transtorno.”

Ele diz que, no caso dos transtornos ansiosos, normalmente os gatilhos estão relacionados a situações fóbicas. Eventos estressantes, porém, também podem levar a crises ansiosas. Como exemplo, a professora Elisa destaca o papel da atual pandemia de Covid-19, que tem gerado uma ampliação dos casos de ansiedade e doenças mentais.

“É um tempo em que nós vivenciamos profundas transformações nas nossas vidas, não só em relação ao presente, mas também em relação ao futuro, e nós não conseguimos minimamente visualizar a que essas transformações se referem. Essas mudanças se intensificam na medida em que vivemos uma situação de crise social, econômica e política, que acompanha a crise sanitária. Então a gente se sente pouco amparado, pouco protegido, pouco respaldado”, explica ela.

Ansiedade causa falta de ar?

A professora Elisa afirma que o paciente pode sim passar por um mal-estar físico, que é resultado de uma dificuldade de compreensão do que ele está sentindo. “Tudo aquilo que a gente não consegue dar sentido na forma de uma denominação é comum que se expresse no corpo.”

No momento de uma crise ansiosa, cada pessoa tem a sua particularidade, o que significa que os sintomas não serão os mesmos para indivíduos diferentes, segundo Silva. No entanto, há alguns sintomas comuns, entre eles a falta de ar e, em alguns casos, sensação iminente de morte.

Quais são os demais sintomas físicos?

Além da falta de ar, também são comuns os seguintes sintomas durante uma crise de ansiedade: Palpitações e taquicardia; Preocupação excessiva; Medo em excesso de se expor a situações corriqueiras (como usar transporte público ou sair de casa, por exemplo).

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