Terça-feira, 26 de Maio de 2020

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Geral Com o isolamento das pessoas por causa do coronavírus, o planeta está “tremendo” menos

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Efeito tem sido observado por sismólogos de diversos países. (Foto: Reprodução)

Com o isolamento social decretado em vários países como uma das principais ações de contenção da pandemia de coronavírus, não foi só a poluição que diminuiu. Cientistas têm alertado para uma outra observação menos perceptível ao ser humano: em termos relativos, a Terra está “tremendo” menos.

Em todo o planeta, sismólogos têm detectado muito menos ruído sísmico, isto é, vibrações geradas pela circulação de automóveis, comboios, ônibus e mesmo pessoas durante o seu dia-a-dia. Na ausência deste ruído, explicam os cientistas, as vibrações na crosta terrestre diminuem e ela se move menos.

Geólogo e sismologista do Observatório Real na Bélgica, Thomas Lecocq observou o fenômeno pela primeira vez em Bruxelas. Segundo ele, a capital do país europeu tem registrado uma baixa de 30% a 50% nesse tipo de ruído desde meados de março, quando a Bélgica implementou medidas de distanciamento social e fechamento do comércio.

“Desde o início do confinamento, observamos um nível de ruído sísmico semelhante ao que geralmente detectamos nos fins de semana ou durante os períodos de férias”, compara. Ele explica, ainda, que o nível registrado durante o dia agora é semelhante ao da noite.

Nos Estados Unidos, também foi verificada essa diminuição. Uma imagem partilhada por alunos do curso de doutorado em Geofísica na UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles), mostra uma quebra do ruído especialmente acentuada nessa região da Costa Oeste norte-americana ao longo do mês passado.

Pequenos sismos mais detectáveis

Thomas Lecocq revelou um outro efeito interessante relacionado ao fenômeno: os cientistas já conseguem detectar terremotos menores e outros eventos sísmicos que algumas estações geológicas nunca conseguiriam registrar em condições normais na atualidade. Ele menciona como exemplo da estação sísmica de Bruxelas que, em situações normais, é “basicamente inútil”.

Conforme explica Lecocq, as estações sísmicas são habitualmente instaladas fora das áreas urbanas, uma vez que, quanto menor for o ruído humano, mais fácil é a captação de vibrações no solo. No entanto, a estação de análise na capital belga foi construída há mais de um século e a cidade se expandiu muito desde então, dificultando esse trabalho.

Os sismólogos passaram a utilizar um aparelho instalado no subsolo para monitorizar a atividade sísmica. No entanto, atualmente, com a tranquilidade da cidade, Lecocq explica que a estação de Bruxelas tem detectado atividade quase tanto como esse aparelho: “Atualmente, somos capazes de detectar eventos muito fracos, como pequenas explosões nas pedreiras do país”.

Para o sismólogo, os gráficos são uma prova de que as pessoas estão cumprindo os conselhos das autoridades e, assim, evitam sair de suas casas: “Do ponto de vista sismológico, podemos motivar a população ao dizer ‘ok, vocês sentem-se sozinhos em casa, mas podemos dizer que toda a gente está em casa. Todos estão fazendo o mesmo, todos estão respeitando as regras’”.

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