Terça-feira, 01 de Dezembro de 2020

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Bem-Estar De olho na sinusite em tempos de coronavírus

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Chamamos de sinusite a inflamação da mucosa que envolve os seios da face. (Foto: Reprodução)

Chamamos de sinusite a inflamação da mucosa que envolve os seios da face – que são as cavidades ósseas localizadas ao redor do nariz, das maçãs do rosto e dos olhos. Há um fluxo contínuo de secreção na região, que ajuda a eliminar organismos estranhos, causadores de possíveis problemas para o corpo. Quando esse processo é interrompido – por alterações anatômicas, infecções e alergias, por exemplo –, vírus, bactérias ou fungos conseguem se concentrar no local e se multiplicar com maior facilidade. O resultado? Sinusite à vista (ou rinossinusite, como preferem os especialistas).

Quais são os tipos?

As rinossinusites podem ser virais (causadas por vírus), bacterianas (causadas por bactérias), ou ainda causadas por fungos – o que, em alguns casos, exige intervenção cirúrgica para desobstruir a cavidade nasal. Elas também podem ser agudas, ou seja, com sintomas que duram cerca de dez dias; ou crônicas, quando a crise persiste por mais tempo. A inflamação pode se manifestar na testa (frontal), nas maçãs do rosto (maxilar), entre o globo ocular e o nariz (etmoidal), na lateral ou no vértice da cabeça (esfenoidal) ou comprometer todas as cavidades (pansinusite). Os tipos agudos são os mais comuns durante a infância.

Quais os principais sintomas?

Nas crianças pequenas, os principais sintomas são tosse e congestão nasal, com secreção tipo muco, que pode ser transparente, de consistência fina, ou esverdeado e mais grosso. Febre, dores musculares, mal-estar e perda de apetite também podem ocorrer. Apenas crianças maiores de 10 anos ou adolescentes e adultos costumam apresentar as clássicas dores de cabeça nos casos de rinossinusites crônicas.

É comum na infância?

Sim, principalmente por causa da imaturidade do sistema imunológico e de fatores ambientais que facilitam a transmissão de micro-organismos. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a doença é bastante frequente até os 7 anos, podendo ocorrer de seis a dez vezes ao ano nessa faixa etária.

Como é feito o diagnóstico?

A avaliação é clínica e, nas crianças, não há necessidade de exames de imagem. O médico investiga o histórico e verifica quando começaram os sintomas. Diferenciar as causas é difícil, mas algumas pistas ajudam. Por exemplo, na sinusite viral costuma haver febre baixa, fluido nasal grosso, tosse e dor de garganta. Na bacteriana, a febre é alta (39°C), o nariz fica entupido e a secreção tem cor amarelada ou mais escura.

É fácil identificar casos crônicos?

Sintomas que duram mais de 12 semanas podem indicar casos crônicos, embora o quadro não seja comum na infância. Quando acontece, o diagnóstico costuma estar relacionado a alergias, aspectos físicos, como desvios de septo, e a fatores como refluxo ou fibrose cística (uma doença genética que afeta os aparelhos digestivo e respiratório e as glândulas sudoríparas). As alterações anatômicas podem dificultar a drenagem das secreções e abrir uma porta para vírus, bactérias e fungos que causam a sinusite. É fundamental tratar primeiro a doença por trás do problema. Procure um pediatra. A orientação de um profissional é importante para confirmar o diagnóstico e realizar o tratamento mais adequado.

O que dispara uma crise?

Uma das principais causas é a gripe comum, que baixa a guarda do organismo e abre caminho para bactérias. Já ambientes com ar-condicionado ou clima muito seco ajudam a disseminar fungos que se alojam nos seios da face. Outro agravante são os ambientes com excesso de pó. A poeira provoca alergias, o que causa inchaços no nariz e favorece o acúmulo de secreções.

Como tratar?

Conhecer o agente causador da sinusite é fundamental para determinar o tratamento da doença. A sinusite viral é tratada como uma gripe, com analgésicos e descongestionantes que controlam os sintomas. As lavagens nasais com soro fisiológico ajudam a diminuir a obstrução nasal e a tosse decorrentes da secreção no nariz. Assim como outras infecções virais, a tendência é melhorar em até dez dias. Já as bacterianas requerem antibióticos receitados pelo pediatra. O mesmo tipo de remédio é indicado em casos crônicos, tratamento muitas vezes complementado com descongestionantes, expectorantes e corticoides tópicos. Eles são administrados durante três semanas, no mínimo. Para a sinusite fúngica, o tratamento pode ser cirúrgico ou medicamentoso.

Como evitar o problema?

Fugir de ar-condicionado e de ambientes muito secos é uma maneira de contornar possíveis gatilhos. Mas o maior segredo é a hidratação. A água tem papel decisivo quando o assunto é sinusite, pois umidifica e dilui as secreções. Assim, elas são eliminadas com mais facilidade. Como referência, bebês de 7 a 12 meses devem beber 800 ml de líquidos por dia (incluindo o leite materno). Entre 1 e 3 anos, são 900 ml. Dos 4 aos 8, a ingestão deve ser de 1,2 litro. Nas épocas mais secas e frias, fazer a lavagem nasal diariamente é uma boa alternativa para prevenir a doença. Outra dica é a inalação a vapor, que faz uma limpeza completa das vias aéreas. O ressecamento do nariz favorece o acúmulo de impurezas e facilita a proliferação de bactérias.

Alimentação é aliada?

Com certeza. Alimentos ricos em vitamina C, como laranja e acerola, são ótimas opções para fortalecer o sistema imunológico. Tomar chás quentes e comer abacaxi, fruta que tem propriedades expectorantes, também pode ajudar a amenizar os sintomas.

Como diferenciá-la da Covid-19?

Os sintomas mais comuns da covid-19 em crianças são dor de garganta e tosse, geralmente seca. Pode ainda ocorrer perda do olfato nas mais velhas, mas não há secreção nasal abundante e muito menos purulenta como na rinossinusite. Vale explicar, porém, que a covid-19, como pode causar quadro gripal, pode desencadear uma sinusite aguda de origem viral, embora não haja registros frequentes.

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