Segunda-feira, 30 de Março de 2020

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Economia Juro do cheque especial recua em janeiro, mas fica acima do limite fixado pelo Banco Central

Desde janeiro o teto para os juros dessa modalidade de crédito é de 8% ao mês, ou cerca de 150% ao ano

Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Desde janeiro o teto para os juros dessa modalidade de crédito é de 8% ao mês, ou cerca de 150% ao ano. (Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

Os juros bancários cobrados no cheque especial de pessoas físicas recuaram em janeiro deste ano, primeiro mês do teto estabelecido pelo BC (Banco Central) para essa modalidade de crédito.

De acordo com o BC, a taxa média de juros nas operações com cheque especial caiu de 247,6% ao ano (10,9% ao mês), em dezembro de 2019, para 165,6% ao ano em janeiro (8,5% ao ano) em janeiro de 2020.

O limite fixado pela instituição foi de 8% ao mês, o equivalente a cerca de 150% ao ano. O teto começou a valer no dia 6 de janeiro. Os juros são cobrados quando o cliente acessa seu limite de crédito, pré-aprovado pelas instituições financeiras.

Ao divulgar os números nesta quinta-feira (27), o BC faz a ressalva de que o resultado da taxa média de juros do cheque especial ainda é uma estimativa e que, após receber mais informações das IFs (Instituições Financeiras) o dado será revisto.

Pelas regras definidas pela instituição, os bancos já podem cobrar tarifa para disponibilizar esse crédito, no valor acima de R$ 500, mas as maiores instituições financeiras do país informaram que não levarão adiante essa cobrança.

Essas alterações foram definidas em novembro do ano passado pelo Banco Central. Até então, não havia um limite para a taxa do cheque especial – uma das modalidades de crédito mais caras do país e utilizadas sobretudo pela população de menor renda –, e os bancos só eram remunerados quando os clientes de fato faziam uso da modalidade.

Apesar da queda, o cheque especial ainda é uma linha cara, quando comparada com os juros médios para pessoas físicas. Ela é classificada como “emergencial” e, segundo analistas, deve ser utilizada, somente se for realmente necessário, por um período curto de tempo.

Cartão de crédito rotativo

Ao mesmo tempo em que recuaram as taxas médias do cheque especial, os valores cobrados pelos bancos no cartão de crédito rotativo aumentaram no primeiro mês deste ano.

Segundo o Banco Central, a taxa média passou de 180,5% ao ano, em dezembro, para 219,1% ao ano em janeiro deste ano. No mês passado, a instituição informou que mudou a forma como calcula os juros bancários nas operações com cartão de crédito rotativo.

Os valores passaram a considerar o fato de alguns bancos cobrarem juro no cheque especial apenas após dez dias de atraso no pagamento da fatura. Com isso, os juros, que antes ficavam acima de 300% ao ano, recuaram. Toda a série histórica do BC foi revisada.

O crédito rotativo do cartão de crédito pode ser acionado por quem não pode pagar o valor total da sua fatura na data do vencimento, mas não quer ficar inadimplente. Para usar o crédito rotativo, o consumidor paga qualquer valor entre o mínimo e total da fatura. O restante é automaticamente financiado e lançado no mês seguinte, com juros.

Spread bancário

O chamado spread bancário (diferença entre o que os bancos pagam pelos recursos e o que cobram de seus clientes) registrou alta de dezembro (27,9 pontos percentuais) para 28,3 pontos percentuais, em janeiro. Com isso, o spread bancário segue em patamar elevado para padrões internacionais.

Nas operações com pessoas físicas, porém, houve pequena queda de 40,2 pontos para 40 pontos de dezembro para janeiro deste ano. O spread é composto pelo lucro dos bancos, pela taxa de inadimplência, por custos administrativos, pelos depósitos compulsórios (que são mantidos no Banco Central) e pelos tributos cobrados pelo governo federal, entre outros.

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